O poeta revela sua irrealização na vida em qual estrofe?

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Q2812441 Português

Leia o texto com atenção e responda as questões de 1 a 11.


Candeeiro familiar


Nas noites de minha meninice

existe um grande candeeiro amigo,

que sobre a vasta mesa de jantar

ilumina o meu serão antigo.

As doces sombras dos meus se projetavam

na parede branquinha do salão.

O primeiro cinema que eu conheci

foram essas sombras de carvão.

À procura do velho candeeiro

vinham asas da mata se queimar;

vinham de longe insetos viageiros,

borboletas de forma singular.

O candeeiro era a lanterna mágica,

que me fazia na parede branca

o homem grande que eu queria ser

e de que sou uma sombra, apenas uma sombra.

A ventania às vezes surpreendia

as janelas abertas do meu lar,

e então as doces sombras se moviam,

trêmulas, trêmulas a bailar.

Quem é lá? perguntavam.

- É a ventania que lá forte está.

E com o vento, como que entravam,

e se espalhavam pelos vãos da sala,

a mãe-preta, o pai joão, toda a senzala,

todas as sombras que não vivem mais.

Jorge de Lima

O poeta revela sua irrealização na vida em qual estrofe?

Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto, focando na compreensão literal e inferencial do poema, especialmente a análise de sentido e figura de linguagem.

O enunciado solicita a identificação da estrofe em que o poeta revela sua irrealização na vida. Para tal, é preciso dominar o conceito de leitura interpretativa, isto é, perceber além do plano literal, avaliando emoções, metáforas e sentidos implícitos.

Justificativa da alternativa correta (letra D – 4ª estrofe):

Nessa estrofe, o poeta recorre à metáfora da sombra para simbolizar a distância entre o desejo (tornar-se “o homem grande”) e a realidade (“de que sou uma sombra, apenas uma sombra”). Pela norma-padrão e de acordo com estudiosos como Bechara e Cunha & Cintra, a interpretação eficaz exige que se perceba o simbolismo da linguagem:

"O candeeiro era a lanterna mágica,
que me fazia na parede branca
o homem grande que eu queria ser
e de que sou uma sombra, apenas uma sombra."

A repetição de “sombra” enfatiza sentimento de frustração ou ausência de realização. Trata-se de uma antítese entre expectativa e realidade – temática clássica da poesia.

Análise das alternativas incorretas:

A) 1ª estrofe: Cita lembrança da infância, sem referência à irrealização.
B) 2ª estrofe: Descreve sombras e recordações, não indica insatisfação com a própria vida.
C) 3ª estrofe: Menciona a vinda de insetos e borboletas, mantendo tom descritivo.
E) 5ª estrofe: Descreve a ventania e a entrada de personagens simbólicos, mas não há autorreflexão sobre desejos frustrados.

Estratégias de prova: Atente-se a expressões que demonstrem comparação entre o que é e o que o eu lírico gostaria de ser. Palavras como “queria ser” e repetições (“apenas uma sombra”) são indicativos claros de irrealização.

Referências como Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra reforçam a importância da leitura profunda, considerando tanto a estrutura semântica quanto as figuras de linguagem presentes.

Resumo: A alternativa D é correta por apresentar explicitamente o sentimento de irrealização do eu-lírico, o que não se verifica nas demais estrofes.

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O candeeiro era a lanterna mágica,

que me fazia na parede branca

"o homem grande que eu queria ser"

e de que sou uma sombra, apenas uma sombra.

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