Um professor de Língua Portuguesa do 8º ano, em uma escola pública localizada em uma cidade brasileira de fronteira, recebe,
no início do ano letivo, alguns alunos migrantes hispanofalantes que chegaram recentemente ao Brasil. Enquanto alguns já
demonstram certa desenvoltura em português, outros têm o contato com o idioma pela primeira vez.
Alejandro, um dos estudantes, compreende o português em nível básico, mas ainda se comunica majoritariamente em espanhol
e apresenta dificuldades tanto na oralidade quanto na escrita.
Durante uma atividade em sala, ao perguntar sobre os desejos e sonhos dos estudantes, o professor ouve Alejandro, visivelmente
emocionado, tentar se expressar:
— Eu quiero una casa.
Parte da turma ri e um dos estudantes comenta:
— Ele disse que quer uma caça? Tipo ir caçar?
Percebendo o mal-entendido e a intenção de ridicularizar o colega, o professor intervém com gentileza:
— Esperem um pouco, pessoal. Acho que houve um equívoco aqui.
Voltando-se para o estudante migrante, pergunta com calma:
— Você quis dizer que gostaria de ter uma casa, um lugar para morar, certo?
Alejandro balança a cabeça, confirmando.
Com base nos estudos sobre aquisição de segunda língua e, mais especificamente, sobre a análise contrastiva entre o português
e o espanhol, qual é a estratégia pedagógica adequada ao contexto apresentado que pode contribuir para combater preconceitos
linguísticos como o descrito no texto?
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