Sobre o tratamento das lesões traumáticas do quadril, assin...
Gabarito comentado
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Tema central: tratamento das principais lesões traumáticas do quadril (colo femoral, regiões trocantéricas, subtrocantérica, luxações e acetábulo) e a conduta de escolha baseada em estabilidade, biologia óssea e risco de complicações.
Alternativa correta: D — Fraturas subtrocantéricas: a osteossíntese com haste intramedular bloqueada é preferida porque atua como load-sharing, reduz o momento de flexão (zona de altas forças), controla varo e rotação, e permite reabilitação mais precoce. É superior a placas em muitos padrões instáveis e com extensão diafisária. Evidências e diretrizes: AO Surgery Reference, Rockwood & Green’s Fractures in Adults, UpToDate, e recomendações da AAOS reforçam o uso de haste cefalomedular para fraturas subtrocantéricas.
Por que as demais estão incorretas?
A) Em idosos com fratura do colo femoral, especialmente deslocadas (Garden III–IV), o tratamento de escolha é artroplastia (hemi ou total), pela alta taxa de pseudoartrose/necrose avascular com parafusos. Parafusos (redução incruenta + fixação) são preferidos em jovens ou fraturas não deslocadas (Garden I–II). Referências: AAOS CPG “Hip Fractures in the Elderly”; UpToDate.
B) Luxação do quadril é urgência: requer redução imediata (ideal < 6h) para reduzir risco de necrose avascular. A imobilização isolada não é tratamento. Cirurgia é indicada quando irredutível ou com fraturas associadas. Diretrizes: ATLS, UpToDate.
C) Fraturas intertrocantéricas instáveis: o procedimento de eleição é fixação com haste cefalomedular (ou DHS em padrões estáveis). Artroplastia total é exceção (osteoporose grave, baixa reserva funcional e cominuição extrema), não padrão. Referências: AO/OTA, UpToDate, AAOS.
E) Fraturas do acetábulo: o tratamento cirúrgico com redução aberta e fixação interna (RAFI) é frequentemente indicado quando há incongruência articular, deslocamento (>2 mm), envolvimento do teto acetabular ou luxação associada. Não é contraindicado; é o padrão em muitos casos, visando redução anatômica para prevenir artrose pós-trauma. Conservador apenas em fraturas não deslocadas/estáveis. Referências: Letournel & Judet, UpToDate.
Estratégia de prova: desconfie de absolutismos como “para todas” ou “contraindicado”. Associe região da fratura ao implante ideal: - Colo femoral idoso deslocada → artroplastia; - Intertrocantérica instável → haste cefalomedular; - Subtrocantérica → haste intramedular bloqueada; - Luxação → redução urgente, não imobilização isolada; - Acetábulo deslocado/incongruente → RAFI.
Fontes: AAOS Clinical Practice Guideline: Hip Fractures in Older Adults; AO Surgery Reference; Rockwood & Green’s Fractures in Adults; UpToDate (Hip fractures; Subtrochanteric fractures; Traumatic hip dislocation; Acetabular fractures).
Gabarito: D.
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