Ministério da Saúde anuncia quase R$ 12 milhões para o enfrentamento da doença de Chagas em municípios
O Ministério da Saúde anunciou, no Dia Mundial da Doença de Chagas, o investimento de quase R$ 12 milhões para o
fortalecimento das ações de vigilância e controle da doença de Chagas em 17 estados do país. Com o repasse, o Governo do
Brasil reforça o compromisso de manter o país avançando no controle da doença. O recurso fortalece a capacidade de atuação
contínua em 155 municípios prioritários, apoiando ações essenciais como captura e monitoramento de vetores, vigilância e
resposta rápida a focos.
“Não podemos esquecer que se trata de uma doença relevante, que já ultrapassou fronteiras e hoje também está presente
no sul dos Estados Unidos, o que amplia a preocupação em nível global. Felizmente, o Brasil tem avançado de forma consistente
no enfrentamento da doença. Houve um aumento de 130% na testagem para Chagas, fortalecendo a detecção precoce e ampliando as oportunidades de cuidado oportuno para a população”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Durante a 18ª edição da Expoepi, em Brasília, um dos principais eventos de vigilância em saúde do país, foram reconhecidos
os municípios de Anápolis e Goiânia, em Goiás, com selo bronze de boas práticas para eliminação da transmissão vertical da
doença. A programação da mostra inclui apresentação de pesquisas, iniciativas de vigilância e experiências bem-sucedidas nos
territórios. O evento também conta com uma exposição dedicada à doença de Chagas, com conteúdos educativos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento voltados a profissionais de saúde e à população.
“A doença de Chagas ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente em áreas com maior
vulnerabilidade social e presença de vetores. Estamos direcionando recursos com base em critérios técnicos, o que permite
maior efetividade das ações e impacto direto na redução da transmissão. Nosso compromisso é ampliar o diagnóstico, garantir
o tratamento oportuno e avançar de forma consistente na eliminação da doença como problema de saúde pública no Brasil”,
afirmou a Secretária de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente do Ministério da Saúde, Mariângela Simão.
A seleção foi baseada em critérios técnicos que consideram a interação dos insetos vetores com o ambiente e vulnerabilidade social, com prioridade para municípios classificados como de risco “muito alto” em índice composto (presença de vetores
e condições socioambientais) e localidades com registro recente do vetor Triatoma infestans. Também foram considerados municípios com alta prioridade e de muito alta prioridade, para a forma crônica da doença de Chagas, concentrados principalmente
nas regiões Nordeste e Sudeste.
O Ministério da Saúde, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), também anunciou a fase 2 do projeto “Selênio
como tratamento na cardiopatia crônica da doença de Chagas (STCC-2)”, que busca avaliar a eficácia e a segurança do mineral
como estratégia terapêutica complementar para pacientes com cardiopatia chagásica crônica.
A expectativa é que a pesquisa gere evidências científicas mais robustas e representativas em diferentes perfis de pacientes.
Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio – substância com ação antioxidante e anti-inflamatória – para proteção cardiovascular, além de apoiar sua possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Para a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Fernanda De Negri, os avanços científicos são essenciais para ampliar as opções terapêuticas e garantir o cuidado em tempo oportuno no SUS. “A doença de Chagas
ainda afeta muitas famílias brasileiras, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Por isso, investir em pesquisas nessa
área é também um compromisso com a equidade e com a promoção de um cuidado mais digno e acessível para todos”, destacou.
O Brasil tem ampliado o enfrentamento à doença de Chagas com mais diagnóstico, vigilância e assistência. Entre 2023 e
2025, a distribuição de testes e medicamentos cresceu mais de 130%, aumentando a detecção e o tratamento. As ações ganham
ainda mais relevância durante a mobilização pelo Dia Mundial da Doença de Chagas, com foco no cuidado integral e na prevenção.
Entre os avanços estão a retomada do benznidazol pediátrico, a ampliação de especialistas no SUS e o reforço da vigilância
com recursos para municípios. O país também prepara a certificação inédita de cidades pela eliminação da transmissão vertical
da doença.
Nesse contexto, o Programa Brasil Saudável busca eliminar a doença como problema de saúde pública até 2030, com foco
na redução das transmissões vetorial, oral e vertical, além do diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS. A iniciativa
integra ações de 14 ministérios, prioriza populações vulneráveis e reconhece a doença como socialmente determinada, ainda
presente em cerca de 1,2 milhão de brasileiros.
O cenário epidemiológico reforça a urgência das medidas: em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com maior concentração no Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará. Em 2025,
dados preliminares indicam 627 casos agudos (97% no Norte) e 8.106 casos crônicos, concentrados em Minas Gerais, Bahia e
Goiás, evidenciando a persistência da doença em áreas endêmicas.
(Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/. Acesso em: abril de 2026. Adaptado.)
No trecho “Os resultados poderão subsidiar a avaliação de tecnologias à base de selênio [...]” (7º§), “subsidiar” tem sentido de:
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