É essencial que os docentes sejam merecedores de iniciativas de
Estado que tornem a docência uma carreira atraente. Sem
professores, o país entra em rota de involução
Correio Braziliense | 15/10/2024
A boa educação IMPUSSIONA o desenvolvimento
econômico e social de um país se contar com profissionais
competentes, reconhecidos e respeitados por todas as classes
sociais e econômicas de uma sociedade. Cada categoria
profissional tem uma participação na construção e no crescimento
de uma nação. Os professores, em todos os níveis, são os
responsáveis pelo repasse de informações e ensinamentos para
o surgimento desses profissionais, lembrando que os atuais
docentes passaram pelas mãos dos que os antecederam,
propiciando-lhes meios de serem educadores e mestres sobre os
mais diversos campos do saber e da ciência.
Hoje, 15 de outubro, é dia de parabenizar os 2,31 milhões
de professores existentes no país. Boa parcela da categoria,
porém, não vê muita razão para CEREBRAÇÕES. Há anos, os
docentes pedem condições mais adequadas de trabalho, escolas
com padrão de qualidade, com acesso aos avanços tecnológicos,
salas confortáveis para os discentes. Reclamam também da
própria falta de valorização da categoria pelos detentores de
poderes.
Os professores são [indispensáveis], mas não bem
remunerados, seja nas grandes cidades, seja nos municípios
mais empobrecidos do país. Os pisos salariais justificam a evasão
de docentes. Estão bem abaixo dos detentores dos poderes, que
têm autonomia para fixar os próprios rendimentos, sem muita
preocupação com o Orçamento da União ou com as políticas
públicas indispensáveis ao bem-estar da sociedade.
As disparidades salariais bem explicam o esgotamento da
esperança dos profissionais de ensino. Na última década
encerrada em 2023, o número de professores concursados
despencou na maioria das redes públicas de educação. Passou
de 505 mil em 2013 — o correspondente a 68,4% do total de
docentes nas redes estaduais — para 321 mil no ano passado
(46,5%), segundo levantamento do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Boa parte das
vagas deixadas pelos concursados foi preenchida por
professores temporários, sem os mesmos direitos e benefícios
dos efetivos. O que seria uma EXCEÇÃO tornou-se um padrão.
O Plano Nacional de Educação (PNE) estabeleceu metas
para VALORIZAR os professores em todas as etapas do ensino,
prevendo que 90% dos professores de escolas públicas sejam
efetivos — uma orientação que deveria ser cumprida até 2017.
Como boa proposta, não foi cumprida. Se, por um lado, os
contratados temporários são alternativas para suprir a demanda
por profissionais, por outro, a solução causa impactos negativos
aos estudantes.
As recentes políticas de educação têm buscado elevar a
qualidade do ensino, impedir que alunos abandonem as salas de
aula por meio de diferentes estímulos. Nesse sentido, é
ESSENCIAL que os docentes sejam merecedores de iniciativas
de Estado que tornem a docência uma carreira atraente para os
professores, para os estudantes e para o país e que traduza em
qualidade de vida para todos os brasileiros. Sem professores, o
país entra em rota de involução.
SEM professores não há desenvolvimento. Correio Braziliense, 15 de outubro de
2024.