Um paciente hipertenso de 58 anos inicia tratamento com um n...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3875049 Farmácia
Um paciente hipertenso de 58 anos inicia tratamento com um novo fármaco experimental que atua como agonista parcial em receptores β₁-adrenérgicos cardíacos. Após três semanas, observa-se que sua frequência cardíaca diminuiu discretamente, mas seu débito cardíaco não aumentou como esperado. Além disso, quando o paciente entra em situação de estresse físico intenso, sua resposta cronotrópica (aumento da frequência cardíaca) é menor do que a de indivíduos não tratados. Com base nos princípios da farmacodinâmica, qual é a explicação mais plausível para o efeito observado? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O ponto decisivo é farmacodinâmico: o fármaco é um agonista parcial em receptor β1, com afinidade pelo receptor, mas menor eficácia intrínseca que um agonista pleno. No estresse, as catecolaminas endógenas competem pelos mesmos receptores e o agonista parcial limita a resposta máxima global, o que sustenta o gabarito A.

Tema central: Agonista parcial β1
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque descreve exatamente o comportamento de um agonista parcial na presença de agonistas plenos endógenos. O fármaco pode produzir alguma ativação basal dos receptores β1, mas sua eficácia intrínseca é inferior à da adrenalina e da noradrenalina. Assim, quando as catecolaminas aumentam no estresse, ele compete pelos mesmos receptores e limita o efeito máximo cronotrópico e inotrópico, o que explica a menor elevação da frequência cardíaca e a ausência do aumento esperado do débito cardíaco.
B
Errada
Está errada porque troca o mecanismo descrito no enunciado. O caso informa agonista parcial, não antagonista irreversível. Além disso, houve efeito farmacológico próprio do fármaco, o que é compatível com atividade agonista parcial e não com bloqueio irreversível puro dos receptores β1.
C
Errada
Está errada porque afirma aumento da eficácia da adrenalina, o que contraria o conceito central da questão. O agonista parcial não aumenta a eficácia do agonista pleno; ao competir pelo mesmo receptor com menor eficácia intrínseca, ele reduz a resposta máxima do sistema.
D
Errada
Está errada porque baixa afinidade a ponto de não interferir com catecolaminas não explicaria o efeito clínico observado, especialmente a menor resposta cronotrópica no estresse. O enunciado mostra interferência farmacológica relevante, o que pressupõe ocupação efetiva de receptores e competição com agonistas endógenos.
E
Errada
Está errada porque confunde potência com eficácia. Alta potência não significa reproduzir completamente o efeito dos agonistas endógenos. O ponto decisivo é que o agonista parcial tem menor eficácia intrínseca, portanto não consegue gerar a resposta máxima de um agonista pleno mesmo que tenha potência elevada.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre ser agonista e necessariamente aumentar a resposta fisiológica; no agonista parcial, na presença de catecolaminas endógenas, pode haver antagonismo funcional com redução da resposta máxima.
Dica para questões semelhantes
  • Em agonista parcial, procure sempre a eficácia intrínseca menor como critério principal de decisão.
  • Se houver agonista endógeno pleno concorrendo pelo mesmo receptor, o agonista parcial pode reduzir o efeito máximo do sistema.
  • Não confunda potência com capacidade de produzir efeito máximo; isso depende de eficácia, não de potência.
  • Quando o enunciado já define o fármaco como agonista parcial, descarte mecanismos incompatíveis, como antagonismo irreversível puro.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo