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Q3017013 Português
O ANALISTA DE BAGÉ

O analista de Bagé era um sujeito muito sério. Levava a vida a sério, o trabalho a sério, e até mesmo os prazeres a sério. Ele nunca ria, nunca chorava, nunca se exaltava. Era sempre o mesmo, calmo e impassível, como um monumento de pedra. 

Um dia, o analista de Bagé estava em seu consultório, atendendo um paciente, quando ouviu um barulho estrondoso do lado de fora. Era um circo que estava se armando na praça em frente ao seu prédio. O analista de Bagé ficou furioso. Ele não suportava barulho. Mandou sua secretária cancelar a consulta e foi até a janela para reclamar com o pessoal do circo.

"Vocês não podem fazer isso aqui!", ele gritou. "Isso é um absurdo! Vocês estão perturbando a paz do meu consultório!"

Os homens do circo olharam para ele com cara de espanto. "Mas, senhor", disse um deles, "estamos aqui só para fazer nosso trabalho. Não estamos incomodando ninguém."

"Claro que estão incomodando!", o analista de Bagé retrucou. "Vocês estão fazendo um barulho infernal! Eu não consigo trabalhar com esse barulho!"

Os homens do circo se entreolharam, sem saber o que dizer. Finalmente, um deles disse: "Olha, senhor, a gente não pode fazer nada. A gente já está aqui, e já montamos as tendas. Se o senhor não gosta do barulho, o senhor pode ir embora."

O analista de Bagé ficou lívido de raiva. Ele não podia acreditar que aqueles homens estavam o desafiando. "Está bem", ele disse. "Eu vou embora. Mas vocês vão se arrepender disso!"

O analista de Bagé saiu do consultório e foi para casa. Ele estava furioso, e não conseguia se concentrar em nada. Ele passou o resto do dia pensando em como se vingar dos homens do circo.

No dia seguinte, o analista de Bagé foi até a praça e comprou um ingresso para o circo. Ele queria ver com os próprios olhos o que era aquilo que tanto o incomodava para construir uma forma de vingança. Quando entrou no circo, o analista de Bagé ficou surpreso. Ele nunca tinha visto nada parecido. Havia palhaços, acrobatas, domadores de leões, tudo muito colorido e animado. O analista de Bagé começou a se divertir. Ele se esqueceu da raiva e começou a rir das palhaçadas, a se admirar com a habilidade dos acrobatas e a se emocionar com os domadores de leões.

No final do espetáculo, o analista de Bagé saiu do circo aplaudindo. Ele tinha se divertido muito, e tinha aprendido uma lição importante: às vezes, é preciso sair da rotina e se divertir um pouco.

Moral da história:

A vida é muito curta para ser levada a sério o tempo todo.

É preciso saber relaxar e se divertir de vez em quando.

ANTERO, Augusto Soares. Histórias apócrifas. São Paulo: Editora do

Autor, 1989.
Em “estamos aqui só para fazer nosso trabalho”, o termo em destaque dá ideia de:
Alternativas

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Interpretação do Enunciado: A questão aborda a interpretação textual, especificamente sobre o uso do termo "para" no contexto da fala dos homens do circo. É importante entender a função desse termo na frase para identificar a alternativa correta.

Palavras-Chave: No trecho “estamos aqui só para fazer nosso trabalho”, a palavra "para" é um marcador que indica a finalidade da ação. Essa análise é fundamental para responder à questão.

Alternativa Correta: A alternativa C - Finalidade é a resposta correta. O termo "para" indica que a razão pela qual os homens do circo estão ali é especificamente para realizar seu trabalho. Essa construção é típica na língua portuguesa, onde "para" é utilizado para expressar um objetivo ou um propósito. Por exemplo, em frases como "Estudo para aprender", o "para" indica a finalidade do estudo.

Justificativa das Alternativas Incorretas:

A - Oposição: Essa alternativa está incorreta, pois o termo "para" não expressa uma ideia de contrariedade ou oposição. Oposição geralmente é indicada por conjunções como "mas" ou "porém".

B - Soma: A alternativa que sugere soma também é inválida. O termo "para" não agrega ou soma ideias, mas sim indica uma direção ou propósito. A noção de soma é mais adequada para expressões matemáticas ou quando se fala de adição de informações.

D - Condição: Esta alternativa é equivocada, pois "para" não estabelece uma condição. Termos que indicam condições são tipicamente "se", "caso" ou "desde que". A expressão de condição envolve um cenário hipotético, que não se aplica aqui.

Conclusão: Portanto, a alternativa C - Finalidade é a única que corretamente interpreta o uso do termo "para" no contexto apresentado, pois reflete a intenção dos homens do circo em se dedicarem ao seu trabalho.

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