Paciente, 26 anos de idade, sexo feminino, chega à Unidade ...
Paciente, 26 anos de idade, sexo feminino, chega à Unidade de Pronto Atendimento com queixa de febre alta, cefaleia e mialgia intensa, principalmente em panturrilhas, há cerca de 5 dias. Evoluiu com aparecimento de icterícia e petéquias há 12 horas. Relata contato com água contaminada recentemente em enchente ocorrida em sua cidade. Os exames laboratoriais mostram leucócitos 17000, plaquetas 60000, creatinina 3,5, ureia 70, AST 25 e ALT 29.
Diante da principal hipótese diagnóstica, marque a alternativa correta.
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Comentário sobre a questão – Leptospirose
Tema central: A questão aborda o diagnóstico da leptospirose, uma zoonose de transmissão hídrica, consequência comum após enchentes urbanas e de grande importância para a saúde pública.
Análise Clínica: O quadro relatado — febre, mialgia em panturrilhas, icterícia, petéquias, elevação de creatinina e contato com águas de enchente — é clássico de leptospirose, particularmente da forma grave, conhecida como Síndrome de Weil. Dados laboratoriais mostram leucocitose, plaquetopenia e insuficiência renal aguda, reforçando a hipótese.
Alternativa correta: B
Justificativa: De acordo com o Ministério da Saúde: “A sorologia é o método diagnóstico mais utilizado… A coleta da segunda amostra deve ser realizada entre 7 e 14 dias após a primeira.” (Guia de Vigilância em Saúde). Assim, a sorologia se torna o exame principal na segunda semana de doença, pois é quando anticorpos são detectáveis.
Análise das alternativas incorretas:
A) Errado: A manifestação neurológica mais comum na leptospirose é a meningite asséptica bacteriana e não fúngica, além de ser incomum cursar com confusão mental importante.
C) Errado: A leptospirose é causada por bactéria do gênero Leptospira e não por vírus. A associação com a Síndrome de Weil está correta, mas o agente etiológico está incorreto.
D) Errado: Não existe vacina específica para humanos no Brasil, e a doxiciclina pode ser usada como quimioprofilaxia apenas em determinadas situações de risco, não como ação universal.
E) Cuidado com a pegadinha: A quimioprofilaxia não reduz a gravidade, e sim o risco de infecção; só está indicada, segundo protocolo do Ministério da Saúde, para grupos de alto risco como trabalhadores em exposição contínua.
Dica de prova: Fique atento ao agente etiológico, cronologia dos sintomas e à fase da doença relacionada ao método diagnóstico. Essas informações frequentemente diferenciam alternativas.
Referências: Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.
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