Assinale a alternativa correta sobre o texto. I. O raciocín...

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Q519048 Português

      Nos últimos doze anos, o Brasil venceu desafios que antes eram vistos como fatalidades com as quais estávamos condenados a conviver para sempre. Superamos a extrema pobreza e a fome. Por outro lado, tem sido utilizada a imagem de que a vida melhorou significativamente da porta de casa para dentro, enquanto do lado de fora, seja nas ruas ou nos campos, persiste grande precariedade dos serviços e bens públicos ofertados, acarretando enormes dificuldades ao dia a dia da população – principalmente das camadas mais pobres. Se o governo reeleito declara que o Brasil sem Miséria se encerra tendo cumprido sua missão, baseado na superação da extrema pobreza pelo critério da renda, não há dúvida sobre a necessidade de continuar avançando, abrindo um novo ciclo de enfrentamento da pobreza e da desigualdade.

      Nesse novo ciclo, os esforços devem se voltar prioritariamente para melhorar a qualidade de vida de grande parte da população. E isso não se faz com megaprojetos ou megaeventos, mas com um modelo de desenvolvimento que priorize a cidadania e o direito ao acesso a serviços públicos de qualidade e a cidades sustentáveis, com foco especial na inclusão daqueles que vivem em situação de pobreza.

      Não se trata de contrapor universalização e focalização. Trata-se de realizar ações afirmativas porque a universalização não se confirma na prática justamente pelas dificuldades de acesso daqueles que são socialmente mais vulneráveis. Apesar dos preconceitos que a prioridade sobre a correção de injustiças pode gerar – vide reações a cotas e ao Bolsa Família –, o reconhecimento de que os mais pobres são aqueles que, tradicionalmente, ficam por último faz que se imponha aqui o preceito da equidade, uma vez que atender igualmente os desiguais poderia resultar na manutenção de desigualdades, pondo em xeque o objetivo maior da universalização de direitos.

      Mesmo com os avanços na última década, o déficit ainda é de grande monta, e a população mais pobre continua a sofrer duramente o alijamento ou o reduzido acesso a serviços essenciais e, quando deles dispõe, na maior parte das vezes a qualidade oferecida é extremamente deficiente. Por exemplo, um trabalhador que more na Baixada Fluminense e trabalhe no centro do Rio de Janeiro pode ter sua jornada para o trabalho acrescida de seis horas, pela precariedade dos transportes. A crise hídrica do estado de São Paulo, por sua vez, está castigando mais severamente os bairros pobres da capital. E os  homicídios em todo o país vitimam majoritariamente jovens negros e pobres.

                                   SIMPSON, M.D. e MENEZES, F. Serviços públicos para redução da pobreza e da desigualdade.

                                                             In: Le Monde Diplomatique Brasil, Edição 90, janeiro de 2015. Disponível em:

                                                            <http;//www.diplomatique.org.br/antigo.php?id=1484>. Acesso em 02/06/2015. 

Assinale a alternativa correta sobre o texto.


I. O raciocínio do parágrafo inicial do texto torna perceptível o tom pejorativo do autor no fragmento “E isso não se faz com megaprojetos ou megaeventos [...]” (segundo parágrafo).

II. Para o autor, não é efetiva uma política que busque universalizar o acesso a serviços públicos de qualidade, se isso não for acompanhado de uma atenção especial a grupos em situação de vulnerabilidade social.

III. As cotas e o Bolsa Família, mencionados pelo autor no terceiro parágrafo, coincidem com o que ele chama de focalização, no primeiro período desse mesmo parágrafo.


É correto o que se afirma em

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão explora interpretação de texto, cobrando o entendimento das ideias principais e implícitas, além da correlação entre argumentos no texto e conceitos como universalização e focalização de políticas públicas.

Justificativa da alternativa correta (C – II e III, apenas):

Para responder corretamente, é essencial fazer uma leitura atenta dos parágrafos-chave e identificar o posicionamento do autor. Observe que, segundo o texto, “não se trata de contrapor universalização e focalização”, mas sim de adotar ações afirmativas (exemplificadas por cotas e Bolsa Família) para compensar a dificuldade de acesso dos mais vulneráveis. Essa estratégia é chamada de focalização.

Além disso, o autor ressalta que tratar todos igualmente sem considerar as diferenças sociais perpetua as desigualdades, confirmando a necessidade de políticas específicas para grupos vulneráveis. Portanto:

  • II – Correta, pois sintetiza essa posição do autor.
  • III – Correta, porque as cotas e o Bolsa Família exemplificam políticas focalizadas.

Análise das alternativas incorretas:

I – Incorreta. O trecho “E isso não se faz com megaprojetos ou megaeventos [...]” expressa crítica à eficácia dessas ações, mas não há tom pejorativo. O autor não ridiculariza nem desmerece agressivamente tais iniciativas, apenas afirma que não são o caminho para o problema discutido, conforme a norma-padrão de análise textual (cf. Bechara, “Gramática Escolar da Língua Portuguesa”).

Atenção para pegadinhas: Muitos alunos confundem crítica com pejoratividade. Por norma, crítica pode ser neutra ou construtiva; pejorativo é sempre depreciativo.

Estratégia de prova: Busque sempre evidências no texto para embasar sua resposta, atentando-se a palavras-chave e estruturas argumentativas. Use a norma culta e autores de referência para apoiar suas decisões.

Referências: Cunha & Cintra – “Nova Gramática do Português Contemporâneo”; Rocha Lima – “Gramática Normativa”; Manual de Redação da Presidência da República.

Gabarito: C) II e III, apenas.

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Comentários

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pejorativo

adjetivo

  1. 1.

    que exprime sentido desagradável ou de desaprovação; depreciativo, despectivo (diz-se de palavra ou expressão).

  2. 2.

    p.ext. desfavorável, aviltante.

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