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Q519047 Português

      A tentativa de implantação da cultura europeia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em consequências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra. Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem.

      Assim, antes de perguntar até que ponto poderá alcançar bom êxito a tentativa, caberia averiguar até onde temos podido representar aquelas formas de convívio, instituições e ideias de que somos herdeiros.

      É relevante, em primeiro lugar, a circunstância de termos recebido a herança através de uma nação ibérica. A Espanha e Portugal são, com a Rússia e os países balcânicos (e em certo sentido também a Inglaterra), um dos territórios-ponte pelos quais a Europa se comunica com os outros mundos. Assim, eles constituem uma zona fronteiriça, de transição, menos carregada, em alguns casos, desse europeísmo que, não obstante, mantêm como um patrimônio necessário.

      Foi a partir da época dos grandes descobrimentos marítimos que os dois países entraram mais decididamente no coro europeu. Esse ingresso tardio deveria repercutir intensamente em seus destinos, determinando muitos aspectos peculiares de sua história e de sua formação espiritual. Surgiu, assim, um tipo de sociedade que se desenvolveria, em alguns sentidos, quase à margem das congêneres europeias, e sem delas receber qualquer incitamento que já não trouxesse em germe.

                                                                                   HOLANDA, S.B. de. Raízes do Brasil. Texto com adaptação.

                                                                                                           12ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978.

Considerando a leitura do quarto parágrafo do texto, bem como as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, analise as assertivas abaixo.


I. Em “que já não trouxesse”, na frase final do parágrafo, é possível a inserção do pronome “o” entre as palavras destacadas, sem prejuízo para o sentido ou para a correção gramatical.

II. O primeiro “que” do parágrafo pode ser trocado por “nos quais”, o que implica pequena alteração nas relações sintáticas do trecho, mas não prejudica sua correção gramatical.

III. O trecho “deveria repercutir intensamente em seus destinos” equivale a “deveria promover intensa repercursão”, que não apresenta desvio quanto à correção gramatical.

IV. Passar para o plural o termo “incitamento”, no final do parágrafo, implicará a flexão de somente mais uma palavra do texto, a fim de que se mantenha a correção gramatical quanto à concordância.


É correto o que se afirma em

Alternativas

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Tema central: A questão explora concordância nominal, colocação pronominal e transformações sintáticas na escrita formal da Língua Portuguesa, além de exigir boa interpretação estrutural do texto. Estes conteúdos caem com frequência em provas de Atividade de Complexidade Gerencial.

Alternativa correta: E (apenas IV)

Análise da assertiva IV: O trecho “sem delas receber qualquer incitamento que já não trouxesse em germe” permite o plural “incitamentos”, mas para manter a correção, é necessário flexionar apenas o artigo: os incitamentos. Este é um caso típico de concordância nominal, regra segundo a qual o artigo deve concordar em gênero e número com o substantivo (cf. Celso Cunha & Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo).

Análise das assertivas incorretas:

I. Em “que já não trouxesse”, não é recomendada a inserção do pronome “o”. No período, ele não possui referente direto para retomar, e, mesmo que inserido (“que já não o trouxesse”), pode gerar erro de colocação pronominal e de sentido, ferindo a clareza e a correção normativa. Como orienta Evanildo Bechara, a colocação do pronome átono em orações desse tipo é restrita nos períodos compostos por subjuntivo.

II. A troca de “que” por “nos quais” altera significativamente a sintaxe. Embora “nos quais” seja um pronome relativo, necessita de antecedente plural e preposição clara, o que não ocorre no contexto do parágrafo. Essa troca, portanto, causaria erro gramatical e perda de naturalidade, contrariando a norma culta.

III. Já o trecho “deveria repercutir intensamente em seus destinos” não equivale exatamente a “deveria promover intensa repercussão”, pois além da diferença de estrutura verbal (verbo intransitivo vs. transitivo), há alteração sutil de sentido e transitividade, prejudicando a fidelidade ao texto e a precisão semântica exigida em redação oficial.

Orientação para provas: Leia atentamente a frase original e o contexto. Mudanças sutis (ex: de singular para plural, pronomes relativos) podem demandar alterações em outros termos; cheque sempre os elementos que devem concordar entre si.

Resumo: A assertiva IV é correta; as demais apresentam violações de normas gramaticais. Domine os conceitos de concordância nominal e colocação pronominal para evitar “pegadinhas”.

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Comentários

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Alguém poderia me explicar o erro do item I. 

O sujeito de já não trouxesse é incitamento, por isso não admite o pronome átomo "o". 

III - Erro: o correto é repercussão e não repercusão.

 

Louíse Deus 

O SUJEITO  de já não trouxesse não é incitamento, se fosse, o item IV estaria errado pois não seria apenas uma palavra flexionada. O SUJEITO é sociedade.

Simplificando a frase temos o seguinte: Surgiu,...,um tipo de sociedade que se desenvolveria, ....,e sem delas receber qualquer incitamento que já não trouxesse em germe. O "que"é pronome relativo e se refere a incitamento. Receber é VTD, cujo OD é qualquer incitamento; Se colocar o "o" nao muda o sentido mas prejudica a correção gramatical.

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