Paciente, 58 anos, sexo feminino, chega ao Pronto Socorro q...

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Ano: 2019 Banca: COPEVE-UFAL Órgão: IFAL Prova: COPEVE-UFAL - 2019 - IFAL - Médico |
Q1051989 Medicina

Paciente, 58 anos, sexo feminino, chega ao Pronto Socorro queixando-se de dor em andar superior do abdome de forte intensidade há cerca de 2 horas, associada a náuseas e vômitos incoercíveis. Ao exame físico, encontra-se desidratada (2+/4+), com PA 90x60mmHg e FC 110bpm, e apresenta equimose em flancos. Nos exames laboratoriais, Hb 12 - Ht 36% - Leuco 16000 - Amilase 600 U/L - Lipase 530 U/L. É internada e recebe tratamento adequado para patologia descrita. Após 5 semanas, encontra-se assintomática e evolui com formação de coleção líquida peripancreática não infectada de 4cm, envolvida por uma cápsula de fibrose e tecido de granulação, observada na tomografia de abdome.

Qual o provável diagnóstico e a melhor conduta a ser tomada neste momento?

Alternativas

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Tema central: O caso explora complicação da pancreatite aguda, enfocando a distinção entre os tipos de coleções pancreáticas e a conduta clínica adequada.

Diagnóstico: Paciente, após episódio de pancreatite, evolui com coleção líquida peripancreática encapsulada e sem infecção, vista semanas após quadro agudo. Conforme os critérios de classificação revisados pela Revisão de Atlanta (2012) e pelas Diretrizes Globais de Gastroenterologia de 2019, trata-se de pseudocisto pancreático – coleção bem definida por cápsula de fibrose, posterior a pancreatite intersticial, surgindo geralmente após 4 semanas.

Conduta: Na ausência de sintomas, infecção ou complicação, o manejo recomendado é expectante. Segundo a diretriz: “Os pseudocistos (...) são benignos e muitas vezes regridem espontaneamente sem necessidade de intervenção, a menos que sejam sintomáticos.”

Análise das alternativas:

A) Correta. Pseudocisto pancreático. O tratamento expectante é seguro, pois a maioria dos pseudocistos regride sem intervenção quando assintomáticos e menores que 6 cm. É a recomendação padrão nas principais diretrizes internacionais.
B) Incorreta. Coleção fluida peripancreática aguda não apresenta envoltório fibroso e ocorre nas primeiras 4 semanas – não é compatível com quadro do enunciado.
C) Incorreta. Drenagem não se indica em pseudocistos assintomáticos e pequenos. A punção está reservada a casos sintomáticos ou complicados.
D) Incorreta. Não há sinais de infecção; abscesso indicaria febre, toxemia ou material purulento na imagem.
E) Incorreta. A CPRE é indicada em casos selecionados de complicações (comunicação com ducto ou obstrução), não em coleções agudas sem sintomas.

Estratégia de prova: Observe sempre o tempo de evolução (>4 semanas), presença de cápsula/parede definida e quadro clínico: são pistas cruciais para diferenciar coleções pancreáticas, evitando pegadinhas.

Conclusão: O correto é esperar e observar pseudocistos assintomáticos e pequenos, conforme as melhores práticas assistenciais e protocolos internacionais.

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A paciente apresenta sintomas e exames laboratoriais sugestivos de um pseudocisto pancreático, que é uma complicação comum de pancreatite aguda. A conduta mais indicada neste momento é a expectante, visto que boa parte dos pseudocistos regridem espontaneamente. Como a paciente já está assintomática, a melhor abordagem é o acompanhamento do pseudocisto por meio de exames de imagem, como a tomografia, para avaliar a sua evolução e intervenção apenas naqueles casos em que o pseudocisto não regride ou apresenta complicações, como infecção ou sangramento. A drenagem guiada por ultrassonografia é uma opção terapêutica a ser considerada em casos selecionados de pseudocisto pancreático, mas não é a melhor opção neste momento, pois a paciente está estável e assintomática. As opções B, D e E estão incorretas, pois não correspondem ao quadro clínico e exames apresentados pela paciente.

A ALTERNATIVA CORRETA É: A) Pseudocisto pancreático. Conduta expectante, visto que boa parte dos pseudocistos regridem espontaneamente.

O diagnóstico mais provável é de pseudocisto pancreático, que é uma coleção líquida peripancreática que ocorre após um episódio de pancreatite. No caso descrito, a paciente apresenta história de dor abdominal intensa, náuseas e vômitos, além de equimose em flancos, e tem exames laboratoriais que indicam pancreatite (amílase e lipase elevadas). Após 5 semanas, uma coleção líquida peripancreática foi identificada com características típicas de pseudocisto, incluindo uma cápsula de fibrose e tecido de granulação. Essa é uma complicação comum de pancreatite aguda, e a conduta expectante é indicada, pois muitos pseudocistos se resolvem espontaneamente sem a necessidade de intervenção.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS:

B) Coleção fluida peripancreática aguda. Conduta expectante, pois estas coleções regridem espontaneamente.

Incorreta. Embora a conduta expectante seja adequada para a maioria dos pseudocistos pancreáticos, a coleção fluida peripancreática aguda refere-se a uma fase mais precoce da pancreatite, que não envolveu a formação de cápsula fibrosa. As coleções agudas podem ter uma evolução mais imprevisível e podem necessitar de drenagem se não regridirem.

C) Pseudocisto pancreático. Drenagem por punção guiada por Ultrassonografia.

Incorreta. A drenagem por punção guiada por ultrassonografia não é indicada em casos assintomáticos de pseudocisto pancreático, como é o caso descrito. Conduta expectante é o tratamento inicial, a menos que o pseudocisto se torne sintomático ou apresente complicações, como infecção ou aumento significativo de tamanho.

D) Abscesso pancreático. Drenagem por punção guiada por Tomografia Computadorizada.

Incorreta. O abscesso pancreático é uma complicação rara da pancreatite e geralmente ocorre após uma infecção bacteriana secundária a uma coleção pancreática. A paciente não apresenta sinais clínicos de infecção ativa, como febre ou aumento das leucócitos com desvio à esquerda, e os exames indicam um pseudocisto, não um abscesso.

E) Coleção fluida peripancreática aguda. Descompressão por CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica).

Incorreta. A CPRE é indicada em casos de obstrução do ducto pancreático ou biliar, mas não é indicada para o tratamento de coleções fluidas agudas ou pseudocistos. A conduta inicial seria conservadora e monitoramento, com a drenagem sendo reservada para complicações.

EM RESUMO:

O diagnóstico é de pseudocisto pancreático, que é uma complicação comum após pancreatite aguda. A melhor conduta é expectante, já que a maioria dos pseudocistos se resolve espontaneamente sem necessidade de drenagem ou intervenção invasiva.

PONTOS CHAVE:

  • O pseudocisto pancreático é uma coleção líquida cercada por uma cápsula fibrosa e ocorre após episódios de pancreatite.

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