I - Neurossífilis assintomática causa meningite leve em cer...
I - Neurossífilis assintomática causa meningite leve em cerca de 15% das pessoas com diagnóstico original de sífilis latente, em 25 a 40% daquelas com sífilis secundária, em 12% daquelas com sífilis cardiovascular e em 5% das com sífilis terciária benigna. Sem tratamento, evolui para neurossífilis sintomática em 5% dos casos. É improvável que uma pessoa cujo líquido cefalorraquidiano é normal > 2 anos após a infecção inicial desenvolva neurossífilis.
II - Neurossífilis meningovascular resulta de inflamação das artérias de tamanho médio ou pequeno do cérebro ou da medula espinal; os sintomas ocorrem tipicamente em 5 a 10 anos após a infecção e variam de nenhum a acidente vascular encefálico. Os sintomas podem começar com cefaleia, rigidez de nuca, tontura, comportamento estranho, pouca concentração, perda de memória, cansaço, insônia e visão borrada. O envolvimento da medula espinal pode produzir fraqueza e desgaste da cintura escapular e dos músculos do membro superior, paraplegia espástica lentamente progressiva com incontinência urinária e/ou fecal e, em casos raros, paralisia súbita das pernas decorrente de trombose das artérias espinais.
III - Neurossífilis parenquimatosa (paresia geral ou demência paralítica) resulta de meningoencefalite crônica que provoca destruição do parênquima cortical. Em geral, desenvolve-se em 15 a 20 anos depois da infecção inicial, na maioria das vezes não afetando pacientes antes dos 40 ou 50 anos de idade. Produz deterioração progressiva de comportamento e pode mimetizar uma doença mental ou demência. Irritabilidade, dificuldade de concentração, deterioração de memória, julgamento alterado, cefaleia, insônia, fadiga e letargia são comuns; convulsões, afasia e hemiparesia transitória são possíveis. A higiene e a aparência do paciente se deterioram. Instabilidade emocional, perda ponderal, depressão e delírios de grandeza com falta de discernimento podem ocorrer. Os sinais incluem tremores de boca, língua, mãos estendidas e corpo inteiro; anormalidades de pupila; disartria; hiper-reflexia; e, em alguns casos, respostas do músculo extensor plantar. A caligrafia é geralmente trêmula e ilegível.
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Tema central: A neurosífilis é a infecção do SNC pelo Treponema pallidum e pode ocorrer em qualquer fase da sífilis. Manifesta-se como formas assintomática, meningovascular, parenquimatosa (paresia geral), além de sífilis ocular/ótica. Entender tempo de evolução, quadro clínico e padrão de LCR é decisivo em provas (Harrison; CDC/WHO; UpToDate).
Alternativa correta: E – Todos os itens estão corretos.
I) Assintomática: Há invasão precoce do SNC com pleocitose/proteína elevadas sem sintomas. As frequências por estágios e a progressão ~5% para forma sintomática estão de acordo com séries clássicas. Se o LCR permanece normal após >2 anos da infecção, torna-se improvável evoluir para neurossífilis (CDC 2021; Harrison 21ª ed.).
II) Meningovascular: Decorre de endarterite de vasos pequenos/médios do encéfalo/medula. Tipicamente ocorre 5–10 anos após a infecção, com pródromos (cefaleia, alterações cognitivas sutis) e pode culminar em AVC. Comprometimento medular explica paraparesia espástica, esfíncteres e, raramente, paralisia súbita por trombose arterial espinal (Harrison; UpToDate).
III) Parenquimatosa (paresia geral): É uma meningoencefalite crônica que destrói córtex, surgindo em geral 15–20 anos após a infecção, com demência progressiva, alterações de personalidade, tremores finos, disartria, alterações pupilares e crises. O quadro descrito é típico (Harrison; Ministério da Saúde/PCDT IST).
Diagnóstico de alto rendimento: Suspeitar frente a sintomas neuro/oculares/óticos ou falha terapêutica. No LCR: VDRL reativo confirma; se não reativo, FTA-ABS/TPPA positivos + pleocitose (≥5–20 células/µL) e/ou proteína elevada apoiam diagnóstico. Em HIV, valores podem ser maiores. Tratamento de escolha: Penicilina G cristalina 18–24 milhões UI/dia IV (4/4h ou infusão contínua) por 10–14 dias; alternativa: penicilina procaína 2,4 MI IM/dia + probenecida por 10–14 dias. Acompanhar VDRL/RPR e considerar reação de Jarisch–Herxheimer (CDC/WHO/PCDT).
Por que as demais alternativas estão erradas?
A, B, C: Todas pressupõem que apenas dois itens estão corretos, mas I, II e III são verdadeiros conforme a literatura citada; logo, são inconsistentes.
D: Afirma que todos estão incorretos, o que contraria as descrições clínicas consagradas para as três formas de neurossífilis.
Estratégia de prova: Decore linhas do tempo (meningovascular 5–10 anos; paresia geral 15–20 anos), associe AVC em jovem à neurossífilis meningovascular e lembre que LCR normal após 2 anos torna neurossífilis futura improvável. Tratamento padrão é sempre penicilina IV 10–14 dias.
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