I - A maioria dos casos de sífilis primária e secundária oc...

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Q2464620 Medicina
A sífilis é provocada por T. pallidum, um espiroqueta que não pode sobreviver muito tempo fora do corpo humano. Na sífilis sexualmente adquirida, T. pallidum entra pelas mucosas ou pela pele, alcança os linfonodos regionais dentro de horas e rapidamente se dissemina ao longo do corpo, sobre este assunto analise as alternativas e assinale a correta:

I - A maioria dos casos de sífilis primária e secundária ocorreu em homens (81%) e, entre os homens, 53% dos casos ocorreram naqueles que fazem sexo com homens. A incidência da sífilis tem aumentado rapidamente nos Estados Unidos; de 2015 a 2020, a taxa de sífilis primária e secundária entre mulheres aumentou 147% (de 1,9 para 4,7 por 100.000); a taxa entre homens aumentou 34% (de 15,5 para 20,8 por 100.000).
II - A sífilis pode ser diagnosticada em qualquer fase e pode afetar um ou múltiplos órgãos, imitando muitas outras doenças. Pode ser acelerada por infecção concomitante pelo HIV; nesses casos, envolvimento ocular, meningites e outras complicações neurológicas são mais comuns e mais graves.
III - Sífilis gomatosa terciária benigna geralmente se desenvolve em 3 a 10 anos depois da infecção e pode envolver a pele, ossos e órgão internos. Gomas são massas inflamatórias, macias, destrutivas que geralmente são localizadas, mas podem infiltrar órgãos ou tecidos de maneira difusa; crescem e se curam lentamente e deixam cicatrizes
Alternativas

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Tema central: Sífilis por Treponema pallidum, sua epidemiologia atual, apresentações clínicas por fases e o impacto da coinfecção por HIV. A bactéria dissemina-se rapidamente após a inoculação, podendo afetar múltiplos órgãos e imitar outras doenças.

Alternativa correta: D – Todos os itens estão corretos.

Por que? Os três itens refletem dados epidemiológicos recentes, a influência do HIV na gravidade e a descrição clássica da sífilis gomatosa terciária, conforme CDC (STI Surveillance/Guidelines), UpToDate e Harrison’s.

I – Epidemiologia: A maioria dos casos de sífilis primária e secundária ocorre em homens, com grande proporção entre HSH (homens que fazem sexo com homens). Houve crescimento acentuado entre mulheres nos EUA entre 2015–2020, refletindo a expansão da transmissão heterossexual e o aumento da sífilis congênita. Pegadinha: números percentuais variam por relatório anual, mas a tendência descrita está correta (CDC).

II – Polimorfismo clínico e HIV: A sífilis pode ser diagnosticada em qualquer fase e “imita” diversas patologias. A coinfecção pelo HIV associa-se a maior risco de comprometimento ocular, meningite e outras manifestações neurológicas, que podem ser mais precoces e graves (CDC 2021/2024; UpToDate). Estratégia: frente a lesões oculares/neuro em pessoa com risco para IST, pensar em sífilis e investigar HIV.

III – Sífilis gomatosa (terciária benigna): Surge tipicamente 3–10 anos após a infecção. Gomas são massas inflamatórias granulomatosas, destrutivas, que podem ser localizadas ou difusas, evoluem lentamente e deixam cicatrizes; acometem pele, ossos e órgãos internos (Harrison’s).

Diagnóstico (essencial em provas): testes não treponêmicos (VDRL/RPR) para rastreio e seguimento (título), e treponêmicos (FTA-ABS, TPPA, testes rápidos) para confirmação. Suspeita de neurosífilis/ocular → considerar líquor (VDRL-LCR) e tratar como neurosífilis.

Tratamento (condutas-chave): Penicilina G benzatina 2,4 milhões UI IM, dose única (sífilis recente: primária/secundária/latente precoce); regimes estendidos por 3 semanas na latente tardia/desconhecida; neurosífilis/ocular: penicilina G cristalina EV (10–14 dias). Diretrizes: CDC/OMS/Ministério da Saúde.

Estratégia de prova: Atenção a termos temporais (3–10 anos para gomas), à tendência epidemiológica (aumento em mulheres e HSH seguem com alta carga) e ao agravamento com HIV.

Análise das alternativas incorretas:
- A: exclui o item III, que está correto (descrição clássica das gomas).
- B: exclui o item II; porém HIV de fato aumenta risco e gravidade de manifestações oculares/neurológicas.
- C: exclui o item I; a tendência epidemiológica citada é reconhecida pelos relatórios do CDC.
- E: exclui I e II, ambos verdadeiros.

Referências: CDC STI Surveillance e Treatment Guidelines (2021/2024); UpToDate – Syphilis in adults; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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Comentários

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A alternativa D é a correta porque todos os itens apresentam informações verdadeiras sobre a sífilis. O item I discute a epidemiologia da sífilis, indicando a prevalência maior em homens (especialmente em homens que fazem sexo com outros homens) e o aumento significativo das taxas de incidência entre homens e mulheres nos Estados Unidos, o que está alinhado com dados epidemiológicos atuais. O item II aborda a capacidade da sífilis de ser diagnosticada em diferentes fases de sua evolução e a sua natureza muitas vezes mimética, podendo afetar vários órgãos e ser exacerbada pela coinfecção com o HIV, levando a complicações mais graves, como problemas oculares e neurológicos. O item III detalha a sífilis terciária, destacando o desenvolvimento de gomas, que são lesões características dessa fase da doença, podendo afetar a pele, ossos e órgãos internos. Essas informações são consistentes com o conhecimento médico atual sobre a sífilis, uma DST causada pelo *Treponema pallidum*.

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