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Ano: 2023
Banca:
FADE - UFPE
Órgão:
UFPE
Provas:
FADE - UFPE - 2023 - UFPE - Técnico em Contabilidade
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FADE - UFPE - 2023 - UFPE - Técnico em Tecnologia da Informação - Área: Sistemas |
Q4300959
Sociologia
Texto associado
TEXTO 3
Muitos de nós já ouvimos falar do antissemitismo, em nome de
que o regime nazista legitimou e justificou o genocídio de cerca
de 7 milhões de judeus e 300 mil ciganos durante a Segunda
Guerra Mundial. Muitos sabem da história de Nelson Mandela,
que passou 27 anos de sua vida ativa na prisão, por ter
desafiado o apartheid, regime de segregação racial implantado
na África do Sul a partir de 1948. Muitos já escutaram histórias
sobre a discriminação racial nos Estados Unidos,
particularmente no sul desse país, onde também existiu um
regime de segregação racial comparável ao da África do Sul.
Sem dúvida, essas manifestações do racismo são as mais
conhecidas, pois são mais noticiadas e popularizadas em
nosso país e em nossa educação. Mas a maioria de nós,
brasileiras e brasileiros, temos ainda bastante dificuldade para
entender e decodificar as manifestações do nosso racismo à
brasileira, por causa de suas peculiaridades que o diferenciam
das outras formas de manifestações de racismo acima
referidas. Além disso, ecoa dentro de muitos brasileiros uma
voz muito forte que grita: “não somos racistas, os racistas são
os outros”.
Essa voz forte e poderosa é o que costumamos chamar de
“mito da democracia racial brasileira”, que funciona como uma
crença, uma verdadeira realidade, uma ordem. Assim fica
muito difícil arrancar do brasileiro a confissão de que ele é
racista. Até as manifestações esportivas mais populares nos
campos de futebol não ficaram isentas de preconceitos dos
próprios jogadores e do público torcedor, que xingam outros
de macacos, porque são negros. Essas manifestações não
acontecem apenas nos campos de futebol europeus, mas
também aqui na terra brasileira, dita sem preconceito racial.
Há alguns anos, surgiu também no Brasil um movimento de
jovens de origem operária denominado skin heads, ligado ao
movimento neonazista. Esse movimento, cujo vento soprou a
partir do Ocidente, proclama seu ódio contra judeus, negros,
homossexuais e nordestinos. Quem nunca escutou piadas
racistas contra negros, japoneses, judeus, até contra
portugueses? Onde estão os ameríndios e qual é a imagem
que temos deles?
Fatos corriqueiros colocam em dúvida a declarada existência
das relações harmoniosas entre negros e brancos, índios e
brancos e outros portadores de diferenças no Brasil da
“democracia racial”. Cada um poderia direta e interiormente se
perguntar por que essas coisas acontecem no nosso mundo,
contrariando os princípios da solidariedade humana, ou seja,
da humanitude. Se tivéssemos respostas fáceis, creio que
teríamos também facilidade para encontrar soluções.
O fenômeno chamado racismo tem uma grande complexidade,
além de ser muito dinâmico no tempo e no espaço. Se ele é
único em sua essência, em sua história, características e
manifestações, ele é múltiplo e diversificado, daí a dificuldade
para denotá-lo, ora através de uma única definição, ora através
de uma única receita de combate. […]
Kabengele Munanga. Excertos do texto Teoria social e relações raciais no Brasil
contemporâneo. Disponível em:
https://www.mprj.mp.br/documents/20184/172682/teoria_social_relacoes_sociais_brasil_cont
emporaneo.pdf. Acesso em 12 set. 23. Adaptado.
Como podemos perceber, o Texto 3 tematiza o racismo.
Sobre esse tema, o autor escolhe focalizar, no texto,