José Paulo Netto (2009), no livro “Capitalismo monopolista e...

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Q3951371 Serviço Social
José Paulo Netto (2009), no livro “Capitalismo monopolista e serviço social”, situa a constituição do mercado de trabalho do assistente social no interior das políticas sociais implementadas pelo Estado burguês. O autor elabora reflexões atinentes à natureza executiva e assalariada do trabalho profissional e à inserção de assistentes sociais nas estratégias de reprodução da força de trabalho. Considerando a funcionalidade simbólica e ideopolítica dessa profissão, marque a alternativa que apresenta a interpretação mais crítica e teoricamente consistente sobre a inserção sócio-ocupacional do Serviço Social, nesse contexto histórico.
Alternativas

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Gabarito: D

O que precisava saber: Era necessário saber que, em José Paulo Netto, o Serviço Social se consolida como profissão no interior das respostas estatais à "questão social" no capitalismo monopolista. O assistente social é compreendido como trabalhador assalariado, com natureza executiva, inserido em instituições e políticas sociais vinculadas à preservação, regulação e reprodução da força de trabalho, além de exercer funcionalidade ideopolítica e simbólica no Estado burguês.

Critério decisivo: A alternativa correta é a que vincula a profissionalização do Serviço Social à reconfiguração das políticas sociais do Estado burguês no capitalismo monopolista, entendendo o assistente social como trabalhador assalariado inserido em instituições e políticas voltadas à gestão da "questão social", à preservação e ao controle da força de trabalho e à reprodução social compatível com a acumulação do capital.

Tema central: Surgimento e institucionalização do Serviço Social no capitalismo monopolista, com ênfase na constituição sócio-histórica da profissão, sua inserção nas políticas sociais estatais e sua funcionalidade na reprodução da força de trabalho.
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta porque apresenta a emergência do Serviço Social como resultado de práticas filantrópicas privadas e da expansão espontânea do setor terciário, relativamente independente das políticas sociais estatais e das transformações do capitalismo monopolista. A base afirma o contrário: a profissão se consolida no interior das respostas estatais à "questão social" no capitalismo monopolista, e não como simples continuidade autônoma da filantropia privada.
B
Errada
Está incorreta porque supõe que a inserção profissional decorre de autonomia plena, atuação independente de mediações institucionais e neutralidade técnica. A base rejeita essa leitura ao afirmar que o assistente social é trabalhador assalariado, inserido em instituições e políticas sociais do Estado burguês, com natureza executiva e atravessado por mediações institucionais e pela lógica da ordem capitalista.
C
Errada
Está incorreta porque sustenta que o reconhecimento legal pelo Estado teria produzido ruptura completa com as perspectivas conservadoras anteriores e instaurado prática desvinculada de projetos de classe. A base afirma que não procede falar em ruptura total com as matrizes conservadoras nem em desvinculação de projetos de classe, pois a profissionalização ocorre historicamente em continuidades e mediações com a ordem capitalista.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque afirma exatamente o núcleo da interpretação crítica apresentada na base: a reconfiguração das políticas sociais no capitalismo monopolista e as estratégias de intervenção estatal sobre a "questão social" contribuem para o reconhecimento do Serviço Social como profissão. Além disso, ela relaciona a função dos assistentes sociais à preservação e ao controle da força de trabalho e aos mecanismos de reprodução social que também atendem à acumulação do capital, o que corresponde diretamente aos fundamentos sobre inserção sócio-ocupacional no Estado burguês, trabalho assalariado e função na reprodução da força de trabalho.
E
Errada
Está incorreta porque caracteriza o trabalho do assistente social como diretamente produtivo de mais-valia e central na geração de valor. A base distingue essa atuação como trabalho assalariado inserido na reprodução social e na gestão da "questão social", não como trabalho diretamente produtor de valor no processo de acumulação capitalista.
Pegadinha da questão
A pegadinha está em trocar a interpretação crítica da inserção institucional e assalariada do Serviço Social por leituras de autonomia plena, neutralidade técnica, origem na filantropia privada ou produção direta de mais-valia. Outra armadilha é tratar a institucionalização da profissão como ruptura total com o conservadorismo anterior, desconsiderando sua funcionalidade ideopolítica no Estado burguês.
Dica para questões semelhantes
  • Em questões sobre José Paulo Netto, procure a alternativa que situe o Serviço Social nas políticas sociais do Estado burguês e na gestão da "questão social" no capitalismo monopolista.
  • Verifique se a profissão aparece como trabalho assalariado e institucionalmente mediado; isso afasta leituras de autonomia plena e neutralidade técnica.
  • Quando a alternativa relacionar a atuação profissional à reprodução da força de trabalho e à reprodução social compatível com a acumulação do capital, ela tende a seguir a chave crítica da base.
  • Desconfie de opções que reduzam a gênese profissional à filantropia privada, afirmem ruptura completa com o conservadorismo ou equiparem o trabalho do assistente social à produção direta de mais-valia.

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Comentários

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Com base na análise da obra de José Paulo Netto, especificamente sobre o surgimento do Serviço Social no contexto do capitalismo monopolista, a resposta correta é a D.

​A alternativa D é a que melhor sintetiza a tese central de Netto. Ele argumenta que o Serviço Social não surge de uma "evolução da caridade", mas sim como um produto da entrada do Estado no enfrentamento das sequelas da "questão social" para garantir a reprodução do sistema.

  • Reconfiguração das políticas sociais: No capitalismo monopolista, o Estado assume funções antes delegadas ao privado para gerir os conflitos de classe.
  • Controle da força de trabalho: O assistente social atua como um executor dessas políticas, operando na manutenção e recuperação da força de trabalho para que o ciclo de acumulação de capital não pare.
  • Funcionalidade: A profissão passa a ter uma utilidade técnica e política para a ordem burguesa, inserindo-se na divisão social e técnica do trabalho.

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