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Q243581 Medicina
Um homem de 60 anos portador de hepatite C crônica, com cirrose, apresenta hemorragia digestiva alta por varizes de esôfago. Alem das medidas habituais de estabilização e controle do sangramento, recomenda-se particularmente a administração endovenosa de
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Tema central: Hemorragia digestiva alta por varizes esofágicas em cirrótico – escolha do fármaco vasoativo na fase aguda.

Gabarito: D — Octreotídeo EV.

Por quê? Em sangramento varicoso, deve-se iniciar terapia vasoativa imediata para reduzir o fluxo esplâncnico e a pressão portal, aumentando a chance de hemostasia endoscópica. O octreotídeo (análogo da somatostatina) promove vasoconstrição esplâncnica e queda do gradiente portal. Esquema clássico: bolus 50 mcg EV seguido de infusão contínua 50 mcg/h por 2–5 dias. Evidência e diretrizes (Baveno VII, AASLD, UpToDate, Harrison) recomendam iniciar antes da endoscopia e manter por alguns dias.

Conduta global (lembrete para prova): estabilização hemodinâmica com transfusão restritiva (alvo Hb 7–8 g/dL), antibiótico profilático (ex.: ceftriaxone 1 g/d por 7 dias), endoscopia em até 12 h com ligadura elástica, considerar TIPS precoce em alto risco (Child-Pugh C 10–13 ou B com sangramento ativo). Após controle: betabloqueador não seletivo + ligadura seriada para profilaxia secundária.

Análise das alternativas incorretas

A) Interferon: antivírico para hepatite C; não reduz pressão portal nem controla sangramento. Além disso, é contraindicado em cirrose descompensada. Não tem papel na fase aguda da HDA varicosa.

B) Plaquetas em aférese: transfundir plaquetas não é rotina. Considera-se apenas em trombocitopenia grave (p.ex., <50.000/µL) ou procedimento com risco de sangramento. Não substitui a terapia vasoativa/endoscópica.

C) Betabloqueador: os não seletivos (propranolol, nadolol, carvedilol) são para profilaxia primária/ secundária, não para controlar sangramento ativo. Iniciar na fase aguda pode agravar hipotensão. Inicie após estabilização/hemostasia.

E) Vasopressina (DDAVP): pegadinha. DDAVP é desmopressina (análoga de vasopressina), útil em disfunção plaquetária urêmica/von Willebrand, mas não reduz pressão portal. A vasopressina “clássica” até reduz, porém com alta taxa de isquemia e hoje não é primeira escolha; quando usada, exige nitroglicerina associada. Diretrizes priorizam octreotídeo ou terlipressina.

Dica de prova: identificou “cirrose + HDA por varizes” e o enunciado fala em “além das medidas habituais”? Pense análogo da somatostatina (octreotídeo) ou terlipressina como vasoativos de primeira linha.

Fontes: Baveno VII Consensus (2022); AASLD Guidance on Portal Hypertensive Bleeding; UpToDate; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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