Diante de inventários, registros de engenho e documentação ...
Gabarito comentado
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Alternativa correta: A
Tema central: O século XVII no Brasil foi marcado por uma economia atlântica articulada ao açúcar, ao tráfico e trabalho escravizado (africano e também ameríndio em várias regiões), à complementaridade porto–engenho e a redes de crédito e devoção que sustentavam a produção e a ordem social.
Resumo teórico: A historiografia descreve o Brasil colonial como parte de uma economia-mundo (Braudel; Wallerstein), com plantation açucareira, grandes engenhos, capital mercantil e ligação estreita com portos (Salvador, Recife, Lisboa, África Atlântica). Inventários e registros de engenho mostram escravos, dívidas, peças de engenho, produção e créditos; documentação paroquial (batismos, casamentos, irmandades) revela redes de sociabilidade e controle social que atravessavam a vida econômica.
Referências essenciais: Fernand Braudel (civilização material e economia-mundo); Immanuel Wallerstein (sistema-mundo); Stuart B. Schwartz, “Sugar Plantations in the Formation of Brazilian Society”; A.J.R. Russell-Wood, “O Brasil Colonial, 1580–1750”; João Fragoso e Manolo Florentino (redes mercantis, crédito e Antigo Regime português).
Por que a A é correta? Porque sintetiza o eixo interpretativo dominante para o período: articulação porto–engenho (escoamento, importação de escravos, suprimentos), tráfico atlântico de africanos (e escravização ameríndia ainda relevante em áreas do Norte e sertões), crédito via casas comerciais (adiantamentos, letras, aviamento) e redes de devoção (irmandades) que organizavam solidariedades, disciplinavam comportamentos e até mediavam recursos e alforrias. É o quadro que os inventários, livros de engenho e registros paroquiais corroboram.
Análise das incorretas:
B – Falsa. Não houve predominância de pequenos proprietários autônomos; a plantation açucareira, com grande escravaria e forte comércio transatlântico, foi central.
C – Falsa. As câmaras tinham peso local, mas não “ampla autonomia fiscal”. Havia forte presença metropolitana: pacto colonial, dízimos, estancos, Conselho Ultramarino (1642).
D – Falsa. O regime não era majoritariamente assalariado; a escravidão foi predominante e a integração aos circuitos externos era alta.
E – Falsa. As confrarias não se limitavam a festas: estruturavam redes de sociabilidade, disciplina moral, auxílio mútuo e até mediação de crédito e alforrias.
Estratégia para a prova: Procure palavras-chave do século XVII: “economia-mundo”, “porto–engenho”, “tráfico atlântico”, “crédito/comércio”, “irmandades”. Desconfie de enunciados com termos absolutos como “predominância de pequenos”, “ampla autonomia”, “regime assalariado”, “baixa integração” — geralmente contrariam o consenso historiográfico.
Conclusão: A leitura integrada de inventários, registros de engenho e documentação paroquial confirma a economia atlântica açucareira, escravidão e redes mercantis-religiosas como eixo explicativo mais consistente.
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