Assinale a alternativa correta quanto à pontuação.

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Q3834532 Português
Leia a crônica de Rubem Braga

Um pé de milho

Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.

Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim - mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.

Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais - mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua - não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas - mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento - e em outra madrugada parecia um galo cantando.

Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado; meu pé de milho pendoou. Há muitas flores no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
Assinale a alternativa correta quanto à pontuação.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o emprego da vírgula em adjunto adverbial deslocado e a proibição de vírgulas entre termos sintaticamente ligados. Na frase das alternativas, "ainda ontem" é adjunto adverbial de tempo intercalado e pode ser isolado por vírgulas; por isso, a forma correta é a que marca esse segmento sem separar sujeito e verbo, verbo e complemento, nem romper a unidade nominal "pé de milho", o que conduz à alternativa D.

Tema central: Emprego da vírgula
Análise das alternativas
A
Errada
A vírgula após "O cronista" separa indevidamente o sujeito do verbo. Esse uso só seria justificável se a intercalação fosse fechada depois de "ontem", o que não ocorre. Assim, além da vírgula indevida entre sujeito e verbo, há isolamento incompleto do adjunto adverbial intercalado.
B
Errada
A vírgula após "ontem" não resolve corretamente a posição do adjunto adverbial e a vírgula em "pé, de milho" é inequivocamente indevida, porque rompe a unidade nominal "pé de milho". A alternativa erra tanto na marcação do termo temporal quanto no interior do sintagma nominal.
C
Errada
Embora "ainda ontem" esteja corretamente isolado, a vírgula em "com, os amigos" separa indevidamente o verbo de uma expressão preposicionada ligada à oração. Não se admite essa quebra entre elementos diretamente relacionados na estrutura sintática.
D
Certa
Na alternativa D, as vírgulas isolam corretamente o adjunto adverbial intercalado "ainda ontem". Ao mesmo tempo, a frase preserva as ligações sintáticas que não admitem vírgula: "O cronista comemorou", "comemorou com os amigos o nascimento" e "pé de milho". É, portanto, a única pontuação normativamente aceitável entre as opções dadas.
E
Errada
A primeira vírgula sugere intercalação de "ainda ontem", mas falta a segunda vírgula para fechá-la. Além disso, a vírgula em "nascimento, do pé de milho" separa indevidamente o nome de seu complemento, o que viola a coesão sintática do grupo nominal.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre pausa de leitura e regra de vírgula: o candidato pode aceitar vírgulas por impressão de oralidade, mas a decisão correta depende da estrutura sintática, sobretudo do isolamento completo de "ainda ontem" e da vedação de vírgula entre termos ligados como sujeito e verbo, verbo e complemento e na expressão "pé de milho".
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro se há adjunto adverbial deslocado ou intercalado; se estiver entre vírgulas, o isolamento precisa estar completo.
  • Elimine de imediato opções que tragam vírgula entre sujeito e verbo ou entre verbo e complemento.
  • Verifique se a vírgula rompe blocos nominais coesos, como "pé de milho" ou "nascimento do pé de milho".
  • Não use pausa oral nem pontuação expressiva final para validar vírgulas sintaticamente erradas.

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Comentários

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Gab: D. A expressão “ainda ontem” é um adjunto adverbial de tempo.

Ela aparece intercalada no meio da oração (entre o sujeito e o verbo), e por isso vem isolada por vírgulas:

  • Sujeito: O cronista
  • Adjunto adverbial intercalado: ainda ontem
  • Verbo: comemorou

As vírgulas servem para marcar essa interrupção no fluxo natural da frase e evitar ambiguidade.

Fonte: Chatgpt

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