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Q3834531 Português
Leia a crônica de Rubem Braga

Um pé de milho

Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.

Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim - mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.

Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais - mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua - não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas - mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento - e em outra madrugada parecia um galo cantando.

Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado; meu pé de milho pendoou. Há muitas flores no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
Assinale a alternativa que apresenta uma verdade em relação à frase “Há muitas flores no mundo, algumas na Rua Júlio de Castilhos.”
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Havia - verbo impessoal

Oração sem sujeito

Verbo “haver” no sentido de existir é impessoal, sem sujeito. Em contraste, o verbo “existir” é pessoal

letras d e e:

Verbo "haver" é extremamente comum de ser cobrado em concursos, de forma unânime na maioria das bancas.

Logo, tenha nota de que verbo haver no sentido de existir é impessoal e sem sujeito.

Há muitas flores no mundo, algumas na Rua Júlio de Castilhos.”

A)Não tem sujeito. Haver no sentido de "existem" muitas flores, verbo impessoal, não tem sujeito.(CORRETA)

B)“Flores” é um adjetivo. É um substantivo.(INCORRETA)

C)O verbo deveria concordar com flores e também estar no plural. Não, verbo haver é impessoal, sentido "existem", sempre no singular. (INCORRETA)

D)A expressão “no mundo” completa o sentido de “flores”. Não, no mundo "é o lugar onde tem flores" então é adjunto adverbial de lugar. (INCORRETA)

E)“Júlio de Castilhos” é nome próprio e tem a função de adjunto adnominal. É nome próprio sim, mas está ligado a preposição "na" adjunto adverbial de lugar ou pode ser aposto especificativo do nome da rua. (INCORRETA)

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