Complete as lacunas com a palavra adequada. • O ..............

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Q3834529 Português
Leia a crônica de Rubem Braga

Um pé de milho

Os americanos, através do radar, entraram em contato com a lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho.

Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim - mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro na frente da casa. Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade aquilo era capim. Quando estava com dois palmos veio outro amigo e afirmou que era cana.

Sou um ignorante, um pobre homem de cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as suas folhas além do muro e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais - mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão, numa esquina de rua - não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas - mas na glória de seu crescimento, tal como o vi em uma noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, as crinas ao vento - e em outra madrugada parecia um galo cantando.

Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado; meu pé de milho pendoou. Há muitas flores no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem. É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.
Complete as lacunas com a palavra adequada.

• O ..................................... foi corretamente colocado na palavra.
• O juiz ..................................... o pedido.
• Não podemos ..................................... o nosso próximo.
• É um perigo .....................................; vamos nos precaver.

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a adequação lexical e ortográfica de cada lacuna ao contexto frasal, com distinção entre parônimos/homófonos conforme a base normativa: escolher a palavra cuja grafia e cujo sentido sejam compatíveis com a oração.

Tema central: Parônimos e ortografia
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra em duas lacunas. "Descriminar" não corresponde ao sentido exigido na frase; o contexto pede "discriminar". Além disso, "eminente" significa ilustre, notável, e não "prestes a acontecer"; por isso não cabe em "É um perigo ...".
B
Certa
A alternativa B é a única em que as quatro escolhas se ajustam ao sentido exato das frases. Na primeira, o que se coloca na palavra é "acento", porque se trata de sinal gráfico, não de "assento". Na segunda, "O juiz deferiu o pedido" usa o verbo com sentido de acolher ou conceder, adequado ao contexto jurídico-administrativo. Na terceira, "Não podemos discriminar o nosso próximo" traz o vocábulo adequado ao contexto de discriminação; "descriminar" tem outro valor. Na quarta, "perigo iminente" significa perigo prestes a ocorrer, que é exatamente o sentido pedido pela frase.
C
Errada
O erro está em "diferiu". Na frase sobre o juiz, o verbo necessário é o que significa acolher ou conceder o pedido: "deferiu". "Diferiu" tem sentido de adiar ou tornar diferente, o que rompe o sentido da oração.
D
Errada
A alternativa falha em "assento" e em "descriminar". "Assento" não é sinal gráfico; significa lugar para sentar, registro ou anotação, enquanto a frase exige "acento". Já "descriminar" não expressa o sentido de discriminar exigido pelo contexto frasal.
E
Errada
Há três inadequações. "Assento" não pode ocupar a frase sobre sinal gráfico, que exige "acento". "Diferiu" não serve no contexto de decisão do juiz, porque a frase pede o verbo com sentido de conceder, isto é, "deferiu". E "eminente" não significa perigo prestes a ocorrer; o correto é "iminente".
Pegadinha da questão
A banca explorou a semelhança gráfica e sonora entre pares como acento/assento, deferiu/diferiu, discriminar/descriminar e iminente/eminente, além de induzir o candidato a achar que a crônica ajudaria na resposta, quando a resolução dependia apenas de adequação lexical e ortográfica nas frases.
Dica para questões semelhantes
  • Julgue cada lacuna pelo sentido exato da frase, não pela semelhança sonora entre as palavras.
  • Em pares muito próximos, confirme primeiro a função semântica pedida: sinal gráfico, concessão do pedido, prática de discriminação ou fato prestes a ocorrer.
  • Se a questão trouxer texto-base, verifique se ele realmente é necessário; aqui, a resolução é independente da crônica.

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Comentários

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gab) b

iminente = imediato

eminente = elevado

B)

Discriminar é o ato de diferenciar, distinguir, separar.

Descriminar significa deixar de ser crime, inocentar. 

Deferiu= conceder, aceitar

Diferiu = diferente, divergir

Discriminar (com "i") significa distinguir, diferenciar, separar ou detalhar algo, podendo ser usado no sentido de especificar itens ou no sentido pejorativo de segregar, marginalizar e tratar de forma desigual, frequentemente associado a preconceito, racismo e exclusão. Não confundir com descriminar (com "e"), que significa tirar a culpa ou descriminalizar.

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