Consideração intempestiva sobre a utilidade e os inconvenien...
A mais ínfima felicidade, quando está sempre presente e nos torna felizes, é incomparavelmente superior a maior de todas, que só se produz de maneira episódica, como uma espécie de capricho, como uma inspiração insensata, em meio a uma vida que é dor, avidez e privação. Tanto na menor como na maior felicidade, porém, há sempre algo que faz que a felicidade seja uma felicidade: a faculdade de esquecer, ou melhor, em palavras mais eruditas, a faculdade de sentir as coisas, durante todo o tempo que dura a felicidade, fora de qualquer perspectiva histórica. Aquele que não sabe instalar-se no limiar do instante, esquecendo todo o passado, aquele que não sabe, como uma deusa da vitória, colocar-se de pé uma vez sequer, sem medo e sem vertigem, este não saberá jamais o que é a felicidade, e o que é ainda pior: ele jamais estará em condições de tornar os outros felizes. É possível viver, e mesmo viver feliz, quase sem lembrança, como o demonstra o animal; mas é absolutamente impossível ser feliz sem esquecimento.
(F. W. Nietzsche. II Consideração intempestiva sobre a utilidade e os inconvenientes da história para a vida. In: Escritos sobre história. Texto adaptado. São Paulo: Loyola, 2005. p. 72-3)
Acerca do texto lido, considera-se que todas as alternativas abaixo estão incorretas, exceto:
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Gabarito comentado
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Tema central: Interpretação de texto, com foco na tipologia textual – identificar o predomínio entre os tipos: narrativo, descritivo, instrucional (ou injuntivo) e argumentativo, conforme a norma-padrão.
Justificativa da alternativa correta (C):
O texto de Nietzsche apresenta uma ideia central (tese): a importância do esquecimento para a felicidade. Para convencer o leitor dessa tese, o autor utiliza argumentos e reflexões filosóficas sobre a vida, a memória e o esquecimento. Isso caracteriza um texto argumentativo, pois há o predomínio da defesa de uma ideia com sustentação lógica e exemplos – como pontuam gramáticas de referência (Cunha & Cintra; Bechara).
Análise das alternativas incorretas:
A) Texto descritivo: Incorreta porque um texto descritivo relata características, detalhes sensoriais ou físicos. Embora sentimentos sejam mencionados, o foco não é descrevê-los em detalhes, mas debatê-los filosoficamente.
B) Texto instrucional: Incorreta, visto que um texto instrucional traz comandos, orientações diretas (verbos no imperativo, por exemplo). O texto não oferece instruções de como alcançar a felicidade, e sim discute conceitualmente o tema.
D) Texto narrativo: Errada. O texto não narra fatos ou sequências de ações, não há personagens, tempo ou espaço definidos. O foco não é contar uma história, mas refletir sobre o conceito da felicidade.
Elementos centrais para acertar:
Procure identificar sempre se o texto defende uma ideia com argumentos (argumentativo), narra uma sequência de eventos (narrativo), descreve detalhadamente objetos ou sentimentos (descritivo) ou instrui o leitor a executar ações (instrucional/injuntivo). No texto de Nietzsche, observe expressões como “é absolutamente impossível ser feliz sem esquecimento”; esse tipo de afirmação é típica da argumentação, pois apresenta uma ideia geral a ser sustentada.
Estratégia importante: Cuidado com pegadinhas que confundem gêneros: textos filosóficos e reflexivos tendem ao argumentativo, ainda que tratem de emoções.
Sempre confira o objetivo comunicativo do texto: convencer, informar, descrever, narrar ou instruir? Isso será decisivo em outras questões!
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Comentários
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Resposta letra C mostra argumetos sobre determinada opinião
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