Em reprodução assistida, quando a causa é a oligozoospermia...
Gabarito comentado
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Tema central: Reprodução assistida com fator masculino (oligozoospermia). Quando a contagem de espermatozoides está reduzida, isso frequentemente reflete alterações genéticas paternas (ex.: microdeleções do cromossomo Y, anomalias de cariótipo), com maior taxa de aneuploidias espermáticas. Na ICSI, “bypassamos” parte da seleção natural do espermatozoide, aumentando a chance de transmitir tais alterações.
Alternativa correta: C – cromossomopatias
Justificativa: Homens com oligozoospermia moderada/grave têm maior prevalência de alterações cromossômicas (numéricas/estruturais) e microdeleções na região AZF do Y. Com ICSI, há risco de transmissão ao concepto, especialmente a filhos do sexo masculino (no caso de microdeleções do Y). Diretrizes da ASRM e ESHRE recomendam cariótipo e avaliação de microdeleções do Y em oligozoospermia acentuada/azoospermia, além de aconselhamento genético. Estudos também mostram leve aumento de aneuploidias e malformações em ART quando há fator masculino severo. Logo, a principal atenção é para risco genético/cromossômico e necessidade de triagem pré-concepcional e pré-natal (ex.: cariótipo paterno, teste de microdeleções, rastreio fetal no 1º trimestre/NIPT).
Análise das alternativas incorretas
A – Óbito fetal: ART pode associar-se a desfechos perinatais discretamente piores em geral, mas não há associação específica entre oligozoospermia e óbito fetal. O ponto crítico do fator masculino é o risco genético, não mortalidade fetal.
B – Gemelaridade: A chance de gêmeos depende sobretudo do número de embriões transferidos ou da indução de ovulação, e não da qualidade seminal. Oligozoospermia não aumenta gemelaridade por si só.
D – Restrição do crescimento fetal (RCF): Há leve elevação de RCF/baixo peso em ART por múltiplos fatores, mas não é um risco específico do fator masculino oligozoospérmico. Novamente, o alerta principal é genético.
Estratégia para provas: Ao ver ���fator masculino” (oligozoospermia/azoospermia), associe com aconselhamento genético, cariótipo e microdeleções do Y. Não confunda riscos gerais da ART (múltiplos, RCF) com riscos específicos do fator masculino (cromossomopatias).
Conduta recomendada (diretrizes ASRM/ESHRE, UpToDate): repetir espermograma, avaliar causas (endócrinas/obstrutivas), solicitar cariótipo e microdeleções do Y em oligozoospermia grave; CFTR se suspeita de obstrução; oferecer aconselhamento genético. Considerar PGT-M/PGT-SR quando indicado por mutação/ rearranjo parental; PGT-A não é rotina. Realizar rastreio pré-natal adequado (teste combinado/NIPT).
Gabarito: C
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