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Considerando o diálogo com a atualidade, no último parágraf...

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Q4197314 Português
Analise o texto a seguir e responda à questão.


Texto III


Review | Guerra dos Mundos (2025, Amazon Prime)

(Alexandre Fernandes)


       Você é daqueles que sentem um pequeno infarto quando, ao assistir qualquer vídeo na internet, se deparam com uma propaganda da qual não é possível pular? Parecem ali os 30 segundos mais sofridos da história da civilização, não é mesmo?

       Você questiona sua fé, se pergunta quais crimes cometeu contra humanidade para receber tal castigo, pensa até em ter que desviar o olhar daquela tela?

   Exageros à parte, assistir uma propaganda indesejada não é das tarefas mais prazerosas, especialmente quando não é o seu objetivo – e longe de mim criticar a indústria da propaganda e do marketing, de onde vêm meu ganha pão, inclusive. Mas se eu quero ver algo, quero ver aquele algo que escolhi, certo?

       Agora, pegue aquele cenário inicial de ódio e desolação e multiplique por 200 vezes. Foi o que senti ao me ver preso em uma grande peça publicitária mal feita da Amazon que é esta releitura de Guerra dos Mundos, lançada recentemente pela gigante de propriedade de Jeff Bezos.

Rapaz, que ódio desse “filme”.

Guerra dos Mundos em diferentes mundos

      Antes de preencher minhas artérias com o mais puro ódio, vale relembrar que Guerra dos Mundos é, originalmente, uma obra literária. A Guerra dos Mundos, escrita por H. G. Wells e publicada pela primeira vez em 1897, é considerada um clássico da ficção científica, narrando a invasão de nosso singelo planeta por uma raça mais inteligente e belicamente superior.

    Um episódio bastante curioso envolvendo o livro é que, durante sua leitura, em formato de dramatização, num programa de rádio norte-americano, o caos foi instaurado na população local.

     Em 30 de outubro de 1938 a rede de rádio CBS (Columbia Broadcasting System) interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos. No entanto, aquela “notícia em edição extraordinária” era só a leitura e interpretação do livro. 

      Só que um estrago e tanto foi feito e o povo da terra da liberdade entrou em pânico, acreditando no que ouvia na rádio.

     Engraçado imaginar que houve uma época em que as pessoas acreditavam em qualquer coisa que ouviam ou viam por aí, sem qualquer raciocínio ou fact-checking, e saíam apavorados espalhando essas “mentiras”, com o simples objetivo de desencadear ainda mais medo e desespero… Enfim.[...]


(Disponível em: https://nerdinterior.com.br/reviews/review-guerra-dosmundos-2025-amazon-prime/. Acesso em 04/02/2026)
Considerando o diálogo com a atualidade, no último parágrafo, ao afirmar que “houve uma época em que as pessoas acreditavam em qualquer coisa que ouviam ou viam por aí”, o autor assume uma postura: 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: A decisão se apoia no descompasso entre a formulação literal e o sentido contextual: o autor fala como se o comportamento pertencesse a “uma época” passada, mas o trecho, em diálogo com a atualidade, aponta criticamente para algo ainda presente. Esse efeito caracteriza ironia e sustenta o gabarito D.

Tema central: postura enunciativa irônica
Análise das alternativas
A
Errada
Não é postura cética, porque o autor não manifesta dúvida nem suspensão de crença sobre o fenômeno. Ele não questiona se isso existe; ele critica esse comportamento por meio de formulação irônica.
B
Errada
Não há otimismo no trecho. O campo semântico é negativo: “mentiras”, “medo” e “desespero” constroem crítica, não esperança ou expectativa positiva. “Engraçado imaginar” não vale como leveza otimista, porque está em chave irônica.
C
Errada
A aparente discrepância entre falar de uma “época” passada e dialogar com o presente não é incoerência textual. É recurso intencional de ironia: o autor diz como se fosse passado para criticar algo ainda atual.
D
Certa
A alternativa D se sustenta porque o enunciador não fala de modo literal e neutro sobre um comportamento encerrado no passado. Ao dizer “houve uma época” e, ao mesmo tempo, usar marcas que atualizam o comentário, como “fact-checking”, ele produz um descompasso entre o que parece afirmar literalmente e o que realmente pretende sugerir: a desinformação e a crença irrefletida continuam atuais. Esse descompasso é o critério decisivo da ironia.
E
Errada
O autor não é indiferente, porque há posicionamento avaliativo claro. O trecho traz crítica à circulação de “mentiras” e encerra com “Enfim.”, marca de distanciamento crítico, não de neutralidade.
Pegadinha da questão
A banca explora a leitura literal de “houve uma época”. Se o candidato ignora a ordem de considerar o diálogo com a atualidade, perde a ironia e pode confundir o trecho com incoerência, ceticismo ou simples comentário histórico.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o enunciado mandar considerar o contexto ou o diálogo com a atualidade, não decida pela leitura literal isolada de uma frase.
  • Para identificar ironia, procure descompasso entre o que é dito literalmente e o sentido que o contexto realmente empurra.
  • Marcas lexicais como “fact-checking” e fechos avaliativos como “Enfim.” ajudam a revelar posicionamento crítico, não neutralidade.
  • Não confunda aparente contradição com incoerência antes de verificar se ela funciona como estratégia discursiva.

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Comentários

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sem qualquer raciocínio ou fact-checking, e saíam apavorados espalhando essas “mentiras”, com o simples objetivo de desencadear ainda mais medo e desespero…

O autor ironiza as pessoas que faziam isso por maldade

A alternativa correta é a D) irônica.

O autor utiliza a ironia ao fingir que o comportamento de acreditar em qualquer coisa sem checar os fatos e espalhar desespero é algo que pertence apenas ao passado ("Engraçado imaginar que houve uma época...").

Ao fazer isso, ele cria um contraponto com a atualidade: na verdade, esse comportamento é extremamente comum e atual no contexto das fake news, das redes sociais e da desinformação na internet. O uso de reticências no final ("Enfim...") reforça esse tom sarcástico, deixando implícito o recado ao leitor de que "nada mudou".

  • A) Cética: Embora haja um olhar crítico sobre a credulidade das pessoas, o recurso estilístico dominante no trecho é a ironia (dizer o oposto do que se pensa para criticar o presente).
  • B) Otimista: O autor não demonstra esperança ou visão positiva sobre a sociedade.
  • C) Incoerente: A declaração não é sem sentido; ela faz parte de uma estratégia argumentativa consciente para provocar o leitor.
  • E) Indiferente: O autor não demonstra desinteresse; pelo contrário, engaja-se ativamente em criticar a facilidade com que as pessoas caem em desinformação tanto no passado quanto no presente.

PMBA

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