Sobre os efeitos adversos e tóxicos das drogas é correto afi...
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Tema central: classificação e reconhecimento dos tipos de reações adversas a medicamentos (RAM): efeitos colaterais (farmacológicos), toxicidade dose-dependente, idiossincrasia e reações de hipersensibilidade/imunoalergia. Saber diferenciar esses conceitos é essencial para toxicologia clínica (Harrison’s; UpToDate).
Gabarito (EXCETO): B
Por que a B é a exceção (incorreta): afirmar que toxicidade por “superdose” nunca decorre de acúmulo está errado. A toxicidade pode ocorrer por dose única excessiva ou por acúmulo progressivo quando há redução do metabolismo/excreção (insuficiência renal/hepática, interações). Exemplos clássicos: digoxina e lítio em insuficiência renal; teofilina por inibição metabólica; metformina com acidose láctica em disfunção renal/hepática. Assim, o termo absoluto “nunca” invalida a proposição (Harrison’s; UpToDate: Adverse drug reactions).
Análise das demais alternativas:
A) Idiossincrasia: resposta qualitativamente anormal e imprevisível, não relacionada à dose e distinta das ações farmacológicas usuais. Pode lembrar hipersensibilidade, mas nem sempre é imunomediada. Exemplos: hemólise por primaquina em deficiência de G6PD; hipertermia maligna com succinilcolina. Conceito adequado.
C) Efeitos colaterais: efeitos farmacológicos previsíveis, dose-dependentes e indesejáveis no uso terapêutico. Ex.: AINEs causam dispepsia/lesão gástrica; anticolinérgicos causam boca seca e retenção urinária. Descrição correta.
D) Reações alérgicas: correspondem à classificação de Gell e Coombs: Tipo I (IgE/anafilaxia), Tipo II (citotóxica por autoanticorpos), Tipo III (complexos imunes), Tipo IV (mediada por células T). O termo “anafilactóide” refere-se a anafilaxia não-IgE, porém a apresentação clínica é semelhante. A ideia geral da classificação está adequada (UpToDate: Drug hypersensitivity).
Estratégia de prova: palavras absolutas como “nunca” e “sempre” são sinais de alerta. Diferencie: colateral (previsível, farmacológico, dose-dependente) vs idiossincrático (imprevisível) vs alérgico (imunomediado) vs toxicidade por acúmulo (depuração reduzida/interação).
Referências: Harrison’s Principles of Internal Medicine (Adverse Reactions to Drugs); UpToDate – Overview of Adverse Drug Reactions; OMS – conceitos de farmacovigilância (Uppsala Monitoring Centre).
Conclusão: a única afirmação incompatível com a ciência é a que exclui o acúmulo como causa de toxicidade de “superdose”.
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