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Q1275597 Português
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Defender a língua é, de modo geral, uma tarefa ambígua e até certo ponto inútil. Mas também é quase inútil e ambíguo dar conselhos aos jovens de uma perspectiva adulta e, no entanto, todo adulto cumpre o que julga ser seu dever. (...) Ora, no que se refere à língua, o choque ou oposição situam-se normalmente na linha divisória do novo e do antigo. Mas fixar no antigo a norma para o atual obrigaria este antigo a recorrer a um mais antigo, até o limite das origens da língua. A própria língua, como ser vivo que é, decidirá o que lhe importa assimilar ou recusar. A língua mastiga e joga fora inúmeros arranjos de frases e vocábulos. Outros, ela absorve e integra a seu modo de ser.

Vergílio Ferreira
Assinale a alternativa cuja frase esteja redigida em acordo com as regras de concordância nominal ou verbal.
Alternativas

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Tema central da questão: Concordância Verbal e Nominal.

Nesta questão, avalia-se se o candidato reconhece e aplica de forma correta as principais regras da sintaxe da concordância na norma-padrão, conforme exigido em concursos para o cargo de Advogado. É importante estar atento aos casos de verbos impessoais, sujeitos simples e compostos, e também construções frasais que costumam gerar dúvidas.

Análise da alternativa correta:
B) "Bateu dezesseis horas o relógio da repartição, avisando que era hora para o cafezinho."

Nessa frase, o sujeito é "o relógio da repartição" (singular), e o verbo "bater" concorda corretamente no singular ("bateu"). A inversão do sujeito após o verbo é permitida na língua culta e não compromete a concordância verbal. Segundo Bechara e Cunha & Cintra, nesta construção a concordância se dá com o sujeito posposto.

Análise das incorretas:

A) "Tratavam-se de erros gramaticais inconcebíveis."

Erro: O verbo "tratar-se de" é impessoal e vai sempre para o singular: Tratava-se de erros...
Regra: Verbo impessoal não varia, mesmo que o complemento seja plural.

C) "Fazem anos que nosso Estado não passa por tamanha onda de calor."

Erro: "Fazer", indicando tempo decorrido, é impessoal: Faz anos...

D) "Faltam, aos usuários de nossa língua materna, um pouco de bom senso..."

Erro: O sujeito é "um pouco de bom senso" (singular) → verbo no singular: Falta, aos usuários...

E) "Houveram muitas dificuldades no uso da língua francesa..."

Erro: "Haver", sentido de existir, é impessoal: Houve muitas dificuldades...

Dica para provas: Sempre que um verbo for impessoal (por exemplo, "fazer" indicando tempo, "haver" com sentido de existir), ele permanece no singular, independentemente do termo seguinte. Em casos com o sujeito posposto, confira sempre qual é o verdadeiro sujeito do verbo!

Referências: Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa; Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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✅ Gabarito: B
 a) Tratavam-se de erros gramaticais inconcebíveis → INCORRETO. Temos a marcação de um sujeito indeterminado, o verbo deve-se manter na 3ª pessoa do singular (=tratava-se → 3ª pessoa do singular + índice de indeterminação do sujeito).
 b) Bateu dezesseis horas o relógio da repartição, avisando que era hora para o cafezinho → CORRETO. Os verbos bater, soar, faltar e restar, tem o número da hora como sujeito, e com esse número deve concordar, exemplos: Bateram quatro da manhã; Será que já soaram onze horas?; Faltam (restam) quatro horas para o início do jogo; Resta (falta) um minuto para a meia-noite.

Mas atenção: Nos dois casos, se aparecer o termo "relógio ou equivalente" como sujeito, a concordância se fará com ele: Deu dez horas o relógio da matriz; é o mesmo que: O relógio da matriz deu dez horas. Nisto, deu três horas o relógio da sala (ou seja: Nisto, o relógio da sala deu três horas).

 c) Fazem anos que nosso Estado não passa por tamanha onda de calor → INCORRETO. O verbo "fazer" indicando tempo decorrido é impessoal e deve-se manter no singular (=faz).
 d) Faltam, aos usuários de nossa língua materna, um pouco de bom senso no uso da gramática normativa → INCORRETO. Temos um sujeito simples que vem após o verbo, o seu núcleo se encontra no singular, logo o verbo deve-se manter no singular (um pouco de bom senso no uso da gramática normativa falta).
 e) Houveram muitas dificuldades no uso da língua francesa, tal qual na aplicação da norma culta de nossa língua → INCORRETO. O verbo "haver" com sentido de "existir/ocorrer" é impessoal e deve-se manter no singular (=houve).
➥ FORÇA, GUERREIROS(AS)!! 

Assertiva B

Bateu dezesseis horas o relógio da repartição, avisando que era hora para o cafezinho.

O VERBO BATEU ESTA CONCORDANDO COM O SUJEITO (RELÓGIO) E NÃO COM O NUEMRAL DEZESSEIS.

(A)

Tratavam-se de erros gramaticais inconcebíveis.

Temos um verbo cujo sujeito é indeterminado, o “se” nesse caso está exercendo a função de índice de indeterminação do sujeito, note que o verbo é um verbo transitivo indireto, portanto a oração não pode ser transportada para voz passiva analítica com dois verbos. Devido a isso, o verbo deve ficar na 3º pessoa do singular.

O correto é:” Trata-se de erros gramaticais inconcebíveis.”

ITEM ERRADO

*

(B)

Bateu dezesseis horas o relógio da repartição, avisando que era hora para o cafezinho.

Os verbos, dar, soar, bater badalar, etc. (indicativos de horas) – prevalece a regra geral de concordância, seguindo o qual o verbo concorda com seu sujeito. É preciso atenção para localizá-lo!

Observamos que o verbo “bater” está concordando com o sujeito “relógio”.

ITEM CORRETO

*

(C)

Fazem anos que nosso Estado não passa por tamanha onda de calor.

Quando temos o verbo “fazer” indicando tempo, distância ou fenômeno da natureza é considerado sem sujeito, portanto se não tem sujeito não tem como o verbo flexionar para concordar com ele.

O correto é:” Faz anos que nosso Estado não passa por tamanha onda de calor”.

ITEM ERRADO

*

(D)

Faltam, aos usuários de nossa língua materna, um pouco de bom senso no uso da gramática normativa.

Fazemos a pergunta antes do verbo para acharmos o sujeito: O que é que falta? – resposta: “um pouco de bom senso...”, portanto, o verbo não deve receber flexão, pois o sujeito não está no plural.

O correto é: Falta, aos usuários de nossa língua materna, um pouco de bom senso no uso da gramática normativa.

ITEM ERRADO

*

(E)

Houveram muitas dificuldades no uso da língua francesa, tal qual na aplicação da norma culta de nossa língua.

Temos o verbo “haver” no sentido de “existir”, portando é considerado oração sem sujeito, devido a isso o verbo não pode flexionar.

O correto é: Houve muitas dificuldades no uso da língua francesa, tal qual na aplicação da norma culta de nossa língua.

ITEM ERRADO

FOCO, FÉ E AÇÃO!

Sem entrar em pormenores, a concordância verbal diz respeito à correta flexão do verbo a fim de concordar com o sujeito. Esporadicamente, no entanto, foge-se à regra geral e faz-se a concordância de modo distinto.

a) Tratavam-se de erros gramaticais inconcebíveis.

Incorreto. Não se pluraliza jamais o verbo da construção "trata-se de", uma vez que a partícula "se" é índice de indeterminação do sujeito. O mesmo se dá com "precisa-se de". Correção: "Tratava-se de erros (...)";

b) Bateu dezesseis horas o relógio da repartição, avisando que era hora para o cafezinho.

Correto. O verbo "bater" concorda normalmente com seu sujeito (o relógio da repartição). Leia nova reescritura: "O relógio da repartição bateu dezesseis horas (...)";

c) Fazem anos que nosso Estado não passa por tamanha onda de calor.

Incorreto. O verbo "fazer" não varia quando na acepção de tempo transcorrido, pois é impessoal (não possui sujeito);

d) Faltam, aos usuários de nossa língua materna, um pouco de bom senso no uso da gramática normativa.

Incorreto. O verbo "faltar" tem de concordar com o sujeito (um pouco de bom senso). Correção: "Falta (...) um pouco de bom senso (...)";

e) Houveram muitas dificuldades no uso da língua francesa, tal qual na aplicação da norma culta de nossa língua.

Incorreto. É bem sabido que o verbo "haver", quando no sentido de existência, não varia.

Letra B

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