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Q3838763 Português

Comunicar ainda é um ato humano


Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido. Em meio a textos automatizados e narrativas guiadas por algoritmos, surge uma questão essencial: o que acontece quando delegamos às máquinas não apenas a forma, mas a intenção do que comunicamos? O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.


Sem intenção consciente, a comunicação se transforma em mero estímulo eficiente, porém vazio. Quando sistemas decidem o que deve emocionar ou convencer, perde-se a responsabilidade sobre o porquê da mensagem. Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação.


Nesse cenário, comunicar exige ética. Não basta dominar ferramentas tecnológicas; é preciso usá-las para ampliar a consciência, não para anestesiá-la. A inteligência artificial reflete valores e visões de mundo de quem a cria, mas carece de um elemento insubstituível: a consciência ética humana.


A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação. Criar e comunicar continuam sendo atos humanos profundos, encontros entre consciência e linguagem. A tecnologia pode amplificar, mas apenas o humano decide o que merece ser dito.


Texto Adaptado


MCSILL, James. Comunicar ainda é um ato humano. Hoje em Dia, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.hojeemdia.com.br/opiniao/opiniao/comunicar-ainda-e-um-at o-humano-1.1097630 . Acesso em: 16 dez. 2025. 

Considerando o texto "Comunicar ainda é um ato humano", avalie sua tipologia e assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O elemento decisivo é que o texto organiza uma reflexão argumentativa sobre comunicação, tecnologia e ética, formulando tese e problematização em vez de expor dados de forma neutra. Isso aparece em trechos como "Vivemos um tempo paradoxal: nunca foi tão fácil produzir conteúdo, mas nunca foi tão difícil produzir sentido." e "surge uma questão essencial: o que acontece quando delegamos às máquinas não apenas a forma, mas a intenção do que comunicamos?", o que conduz ao reconhecimento da alternativa B.

Tema central: ética na comunicação
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atribui ao texto uma estrutura informativa e neutra que ele não apresenta. O enunciador assume posição, avalia e adverte, como mostram expressões como "O risco central", "perigo da manipulação" e "comunicar exige ética". Isso afasta a ideia de mera exposição objetiva de dados.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica a predominância dissertativo-reflexiva do texto. O enunciador parte de uma tese sobre o cenário comunicacional contemporâneo, desenvolve uma problematização ética e sustenta sua posição por meio de generalizações, contraposições e avaliações, como em "O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado.", "Nesse cenário, comunicar exige ética." e "A IA pode ampliar e organizar vozes, mas não cria intenção. A intenção é o núcleo da comunicação.". Esses elementos mostram que o texto não se limita a informar, prescrever ou instruir.
C
Errada
Está errada porque o texto não estabelece regras claras, sistemáticas ou formais de conduta. Há defesa argumentativa de uma postura ética, mas não há estrutura regulatória, comandos objetivos nem formulação de normas. A frase "comunicar exige ética" funciona como juízo de valor dentro da tese, não como texto normativo.
D
Errada
Está errada porque não há finalidade didática-instrucional nem apresentação de procedimentos sobre uso de ferramentas digitais. O texto não traz etapas, orientações práticas ou instruções operacionais; ele discute princípios, riscos e sentidos da comunicação mediada por tecnologia.
E
Errada
Está errada porque o texto não promove produtos de inteligência artificial nem exalta a automação comunicativa. O movimento argumentativo é crítico: "O risco central não é a substituição do humano, mas o esvaziamento do significado." e "Onde não há intenção humana, há o perigo da manipulação disfarçada de inovação.". Isso é incompatível com finalidade publicitária.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre texto dissertativo-reflexivo e texto expositivo ou normativo: como o tema é atual e aparece a ideia de dever ético, o candidato pode ler como informação neutra ou regra de conduta, mas o que predomina é a problematização argumentativa com juízo de valor.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se o texto apenas informa ou se formula uma tese e sustenta um ponto de vista; presença de avaliação e problematização aponta para tipologia dissertativo-reflexiva.
  • Expressões de dever, sozinhas, não tornam o texto normativo; observe se há regras organizadas e comandos objetivos ou apenas defesa argumentativa de uma posição.
  • Se não houver etapas, procedimentos e instruções de uso, não classifique como didático-instrucional.
  • Ao identificar a tipologia, priorize a finalidade dominante do texto, não apenas o tema tratado.

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