“Bigodinho” (1º parágrafo) e “homenzinho” (4º parágrafo) sã...

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Q4366367 Português
Texto II
Isenção de ânimo


Tendo comprado um apartamento, foi à repartição dar entrada nos papéis requerendo isenção do imposto de transmissão. Um funcionário pálido e de bigodinho antipático o atendeu. Depois de examinar os documentos, sorriu sadicamente:

_ O senhor não vai conseguir isenção.

_ Posso saber por quê?

_ Porque – explicou o homenzinho, juntando os dedos no ar e escandindo as palavras com precisão – estou aqui para selecionar os papéis.

_ Isso não quer dizer que eu não consiga a isenção.

_ Perdão: e quem disse que os seus papéis estão em ordem?

_ Então examine e veja se não estão.

O funcionário começou a examinar meticulosamente os papéis com um sorriso de quem diz: “Já lhe mostro... Já lhe mostro...” E mostrou mesmo:

_ Olhe aqui: falta reconhecer a firma deste documento.

Continuou a procurar, mas não encontrou qualquer outra irregularidade.

_ Ainda assim, posso assegurar-lhe que não vai conseguir – afirmou, com delicadeza profissional.

_ Não vou conseguir por quê?

_ Não se exalte. Não se exalte. Estou aqui para selecionar... 

_ Pois se não conseguir vou à Justiça, faço valer os meus direitos. O senhor vai ver só.

_ Duvidê-ó-dó... – suspirou o funcionário.

E voltou-se polidamente para outro cidadão que esperava a sua vez:

_ O senhor? Em que posso ser útil?

_ Dar entrada nestes papéis – disse o homem com truculência.

_ Isenção? Deixa ver aqui... O senhor não vai conseguir.

─ Por quê?

_ O documento diz aqui: “Por ter servido durante a guerra...” servido! e não prestado serviço. Meu amigo, há uma diferença entre servir e prestar serviço. Servir é compulsório; prestar serviço quer dizer: fazer algum serviço vo-lun-ta-ria-men-te. O senhor não vai conseguir.

_ Se não conseguir, eu pago o imposto – resignou-se o homem.

_O problema é seu – encerrou o funcionário: ─ Estou aqui para selecionar os papéis.


(Adaptado de SABINO, Fernando. In: A mulher do vizinho. 9 ed. RJ: Record, s/data, p.42-44.)

 “Bigodinho” (1º parágrafo) e “homenzinho” (4º parágrafo) são substantivos usados pelo narrador no grau diminutivo.
Levando em conta, no panorama geral do texto, a imagem que o narrador passa ao leitor sobre a personalidade pessimista do funcionário da repartição, pode-se concluir que o grau diminutivo foi utilizado para expressar
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