Para o autor, a afetividade

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Q3454769 Português
        Quando me proponho a analisar a complexidade da identidade da educação brasileira, desde a sua formação histórica, passando por seus determinantes políticos e filosóficos, até chegar aos processos curriculares e à organização didática e administrativa da escola, acabo percebendo que deixamos de lado dimensões antropológicas essencialmente humanas, e que hoje são desafios e urgências, analíticas e propositivas. Uma das mais urgentes dimensões a se considerar é a questão da afetividade, a qualidade social e subjetiva das relações pessoais. Não assumimos como importantes ou até mesmo como consideráveis as questões que envolvem a educação afetiva e emocional.

        Afetividade significa educar para a sensibilidade, educar para ter imperativos éticos referentes a outras pessoas, à natureza, à diversidade da vida e do mundo, aos valores, às artes, aos conhecimentos e, sobretudo, à polifonia das personalidades, das diferentes pessoas, culturas, identidades, grupos e movimentos que nos cercam. A vida, em si, é uma grande epifania de vivências, de desabrochamentos de experiências, de vitalidades, emoções, alegrias, perdas e achados!

        Educação afetiva é a criação de uma atmosfera vivencial de sensibilidades, de gestos elevados, esteticamente belos e bons, como aqueles que cultivamos como essenciais. Praticar a palavra acolhedora, a celebrar os encontros, a pedir desculpas pelos erros, pelas contradições, pelos desvios padrões que acontecem entre nossos desejos, nossas necessidades e nossos atos reais é sempre cultivar a paz, a generosidade, a esperança, o bom trato, a convivência pluralista, diversa e amorosa.

        Educação afetiva é erigir alguns valores como “sagrados” para a convivência familiar, escolar e social, tais como a disposição para o trabalho em grupo, a decisão consultiva, as escolhas voltadas ao bem de todos, a paz e a democracia, o respeito à dignidade de toda pessoa, a condenação de toda forma de violência, simbólica ou real, a condenação firme de toda crueldade, de toda covardia, de toda destruição predatória do ecossistema, dos animais, das flores, do meio ambiente, da natureza. Ter sobretudo o sagrado amor à vida, proteger os que precisam de mais afeto, de mais proteção, combater todo sofrimento humano, notadamente aquele socialmente produzido, para que possa ser socialmente transformado.

        Educação afetiva é mudar o olhar para com as crianças, os adolescentes, os jovens. É ser exemplo, é convencer pela palavra e testemunhar com as atitudes. Como cantava o poeta Almir Sater, com seu amigo Renato Teixeira: “É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir!”. Observem bem, a chuva está caindo, a natureza está fazendo a sua parte! Faltam as outras duas disposições para a vida ser melhor!

(César Nunes. “A educação afetiva e a ética da convivência amorosa”.
In: Da educação que ama ao amor que educa. Adaptado) 
Para o autor, a afetividade
Alternativas

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Tema central: Interpretação de Texto – compreensão global das ideias defendidas pelo autor, com atenção à coerência textual e aos aspectos semânticos do discurso.

Justificativa da alternativa correta (C):

O texto ressalta que a afetividade é fundamental e complexa na educação, entretanto tem sido pouco considerada nas práticas escolares. O autor aponta a necessidade de valorizá-la e integrá-la no cotidiano da escola. Isso fica evidente em passagens como: "deixamos de lado dimensões antropológicas essencialmente humanas" e "precisa ser socialmente transformada". Tais trechos demonstram um apelo à incorporação da afetividade ao âmbito escolar, indo além da simples convivência interpessoal.

De acordo com Evanildo Bechara (Gramática Escolar da Língua Portuguesa), uma boa compreensão do texto exige perceber não apenas o explícito, mas o que é defendido ao longo do desenvolvimento da ideia, com base nas relações lógicas entre os parágrafos. É por essa análise global que identificamos que a alternativa C é a correta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Falsa – O texto não afirma que a afetividade é apenas inata ou restrita ao contexto familiar; defende seu estímulo também no espaço escolar.

B) Falsa – Não se trata de propor um componente curricular isolado, mas de inserir a afetividade como valor transversal em toda a educação.

D) Falsa – O autor amplia a afetividade a processos didáticos e administrativos, não os exclui.

E) Falsa – O texto faz o oposto: mostra a afetividade como necessária, e não como obstáculo à objetividade ou ao desempenho.

Dica para concursos: Atenção a generalizações e restrições no enunciado das alternativas. Estratégias como buscar as palavras-chave do texto e evitar as opções extremas ou excludentes geralmente ajudam a evitar erros.
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Comentários

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C

Para o autor, a afetividade é uma dimensão essencial frequentemente negligenciada pela escola, que foca excessivamente em processos burocráticos. Ela não se resume a sentimentos, mas envolve ética, valores e convivência democrática. Portanto, é urgente que seja incorporada às práticas cotidianas, educando para a sensibilidade, o respeito à diversidade e a construção de relações humanas mais amorosas e sociais.

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