Deus não escolhe os capacitados   Conta certa lenda que esta...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: APS - SP Prova: VUNESP - 2024 - APS - SP - Guarda Portuário |
Q4197153 Português
Leia o texto para responder à questão.


Você é um carpinteiro ou um jardineiro?


   A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

   “Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

   Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

  Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

   E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

   E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

   A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

   E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?


(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)
Deus não escolhe os capacitados
   Conta certa lenda que estavam duas crianças patinando num lago congelado. Era uma tarde nublada e fria, e as crianças brincavam despreocupadas. De repente o gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda que se formou.    A outra, vendo seu amiguinho preso e se congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o gelo com todas as suas forças, conseguindo, por fim, quebrá-lo e libertar o amigo. Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino: – Como você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos tão frágeis!    Nesse instante, um ancião que passava pelo local, comentou:    – Eu sei como ele conseguiu.    Todos perguntaram:    – Pode nos dizer como? – É simples. – respondeu o velho.    – Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.
(sitecontabil.com.br. Atribuído a Albert Einstein. Acessado em 30 de abril de 2024)


Em relação ao primeiro texto da prova, de Luciana Garbin, é correto afirmar, quanto aos aspectos nele tratados, que esta narrativa, atribuída a Albert Einstein, vem
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério é a convergência das ideias, expressa nos trechos: “o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles. – Não havia ninguém ao seu redor para lhe dizer que não seria capaz.” Essa correspondência faz com que a narrativa confirme a perspectiva do primeiro texto, levando à alternativa B.

Tema central: Confirmação temática entre textos
Análise das alternativas
A
Errada
Refutar exigiria contestar a crítica à limitação do potencial infantil. A narrativa não apresenta argumento que derrube essa crítica: a explicação final do ancião a reforça ao destacar a ausência de alguém que declarasse a incapacidade do menino.
B
Certa
B) Ratificar significa, neste contexto, confirmar ou corroborar uma perspectiva. A confirmação diz respeito ao aspecto comparado, sem exigir que a narrativa retome todos os assuntos do primeiro texto ou comprove cientificamente suas afirmações.
C
Errada
Negar seria rejeitar a perspectiva do primeiro texto. Em “Não havia ninguém”, a negação recai sobre a presença de alguém que desencorajasse a criança, não sobre a ideia de que intervenções externas podem restringir suas capacidades.
D
Errada
Contradizer exigiria oposição entre as ideias comparadas. O êxito do menino, interpretado pelo ancião como favorecido pela ausência de desencorajamento, é compatível com a valorização das possibilidades infantis defendida no primeiro texto.
E
Errada
Polemizar implicaria estabelecer uma controvérsia com a perspectiva do primeiro texto. O questionamento dos bombeiros ocorre dentro da narrativa e expressa surpresa diante do feito; a conclusão do ancião reforça, em vez de discutir polemicamente, a crítica às intervenções limitadoras.
Pegadinha da questão
Confundir a negação em “Não havia ninguém” ou a incredulidade dos bombeiros com oposição ao primeiro texto. A orientação conclusiva vem da fala do ancião e confirma a crítica ao desencorajamento infantil.
Dica para questões semelhantes
  • Compare as ideias sustentadas pelos textos, e não apenas as diferenças entre suas situações ou formas de apresentação.
  • Identifique a função do desfecho: nesta narrativa, a fala final orienta a interpretação do episódio.
  • Verifique sobre o que recai uma negação antes de concluir que ela rejeita a tese de outro texto.
  • Reconheça que confirmar um aspecto central não exige repetir todos os assuntos nem comprovar cientificamente as afirmações do texto anterior.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

A narrativa mostra uma criança que, mesmo sendo pequena e aparentemente incapaz, consegue realizar algo que os adultos consideravam impossível.

RATIFICÁ-LO significa confirmá-lo, validá-lo, reafirmá-lo.

Obrigado pessoal!

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo