As aspas presentes no trecho – ... muitos pais e mães passa...

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Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: APS - SP Prova: VUNESP - 2024 - APS - SP - Guarda Portuário |
Q4197147 Português
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Você é um carpinteiro ou um jardineiro?


   A maioria dos pais e mães que conheço tem entre suas preocupações a filha ou o filho “ser alguém na vida”. Há uma grande ansiedade em atuar desde criança para que os filhos “cheguem lá”. E aí é que pode morar o perigo, segundo a psicóloga comportamental americana Alison Gopnik. Para ela, nessa ânsia de impulsionar resultados dos rebentos, o que os pais e mães acabam muitas vezes fazendo é limitar o potencial deles.

   “Muitos pais se concentram em fazer com que os filhos aprendam mais, melhor e mais rápido”, escreve Alison no livro O jardineiro e o Carpinteiro. “Nosso trabalho como pais não é moldar a mente dos nossos filhos: é deixar que explorem todas as possibilidades que o mundo permite. Não é dizer às crianças como brincar: é disponibilizar os brinquedos.”

   Conheci Alison num curso. Em sua palestra, ela mostrou vídeos de um experimento feito com crianças em idade pré- -escolar e um brinquedo de tubos em que um fazia barulho, outro acendia, outro tocava música, outro tinha um espelho. Para metade das crianças, o pesquisador falou algo na linha: “Olhe meu brinquedo! Vou mostrar como funciona”. Para a outra metade, não disse nada. As crianças ensinadas previamente a usá-lo interagiam com ele de forma mais limitada. Já as demais brincaram mais livremente.

  Ao mesmo tempo que as famílias foram encolhendo e tendo filhos mais tarde, muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças.

   E aí está outro problema na visão de Alison: o cuidado dos filhos passou a ser visto também como forma de trabalho, em vez de forma de amor. “Se você aceita a ideia de que ser pai é um tipo de trabalho, então você deve escolher entre esse tipo de trabalho e outros tipos de trabalho. As mães vivem infinitamente em conflito e se sentem forçadas a escolher entre diminuir a importância da maternidade e renunciar à carreira.”, afirma Alison.

   E o que tudo isso tem a ver com o jardineiro e o carpinteiro do livro de Alison? O pai carpinteiro é o que tenta esculpir o filho para se tornar um certo tipo de pessoa. Já o jardineiro não consegue formar sozinho as plantas ou flores: trabalha para criar as condições para que elas floresçam.

   A ideia de atuar como jardineiro pode ajudar a preparar os pais para a independência dos filhos. “Nossos filhos não só são independentes de nós e autônomos, como também fazem parte de uma nova geração que é autônoma e independente da anterior”, afirma.

   E aí? Você se identifica mais com o estilo jardineiro ou carpinteiro?


(Luciana Garbin. O Estado de S.Paulo, 4 de abril de 2024. Adaptado)
As aspas presentes no trecho – ... muitos pais e mães passaram a trabalhar mais, focar a carreira e apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças. (4o parágrafo) – foram empregadas para
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Em “apelar a sites, canais e livros que “ensinam” a educar as crianças”, as aspas em “ensinam” marcam distanciamento crítico e põem sob suspeita a validade da pretensão de ensinar, o que sustenta a alternativa E.

Tema central: Valor discursivo das aspas
Análise das alternativas
A
Errada
As aspas não apresentam uma definição nem delimitam o significado exato de “ensinam”. Elas indicam a atitude crítica da autora diante da ação anunciada por essas fontes.
B
Errada
As aspas incidem sobre o verbo “ensinam”, colocando em dúvida a validade dessa ação; não explicam nem especificam uma palavra anterior. A relação da oração com sites, canais e livros não deve ser confundida com a função das aspas.
C
Errada
Colocar um ensinamento sob suspeita não equivale a concluir sobre sua eficácia ou ineficácia. Além disso, a referência não se limita a métodos digitais: o trecho também menciona livros.
D
Errada
O distanciamento crítico marcado em “ensinam” é incompatível com um elogio à qualidade dos livros. A autora manifesta reserva quanto ao ensino oferecido, e não uma avaliação favorável.
E
Certa
A alternativa E está correta porque a autora não assume integralmente como válida a pretensão dessas fontes de ensinar a educar. As aspas relativizam essa capacidade, e a argumentação do texto sustenta essa reserva ao opor a imposição de modelos à criação de condições para a autonomia infantil. Questionam-se, portanto, alguns métodos educativos, sem afirmar que toda orientação aos pais seja inválida.
Pegadinha da questão
Confundir a reserva crítica expressa pelas aspas com uma conclusão definitiva de que os métodos são ineficazes. O trecho questiona a pretensão de ensinar a educar, mas não comprova nem generaliza a ineficácia dessas fontes.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique a palavra sobre a qual as aspas incidem e verifique que atitude o texto assume diante dela.
  • Relacione o uso das aspas à argumentação: neste caso, a crítica a moldar os filhos sustenta a leitura de distanciamento.
  • Diferencie questionamento de conclusão: pôr uma afirmação em dúvida não significa demonstrar que ela é falsa.
  • Preserve a abrangência do trecho: uma referência a sites, canais e livros não pode ser reduzida apenas a fontes digitais.

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ironizar

Alternativa E

gabarito sem sentido

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