Não analisa corretamente o excerto e seu autor, a alternat...
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Urupês
Quando Pedro I lança aos ecos o seu grito histórico e o país desperta estrovinhado à crise duma mudança de dono, o caboclo ergue-se, espia e acocora-se de novo.
Pelo treze de maio, mal esvoaça-se o florido decreto da Princesa e o negro exausto larga num uf! O cabo da enxada, o caboclo olha, coça a cabeça, imagina e deixa que do velho mundo venha quem nele pegue de novo.
A 15 de Novembro troca-se um trono vitalício pela cadeira quadrienal. O país bestifica-se ante o inopinado da mudança. O caboclo não dá pela coisa.
Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epítome de carne onde se resumem características da espécie.
De pé ou sentado, as ideias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa.
Nos mercados para onde leva a quitanda domingueira, é de cócoras, como um faquir de Bramaputra, que vigia os cachinhos de brejaúva ou o feixe de três palmitos.
Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!
(Monteiro Lobato)
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Comentário do Gabarito – Interpretação de Texto e Coerência Textual
Tema central: Esta questão exige a interpretação crítica do excerto de "Urupês", de Monteiro Lobato, aliada ao conhecimento sobre o contexto histórico-literário do autor e à coerência textual. Tais habilidades são fundamentais nos concursos, especialmente para candidatos ao magistério de Língua Portuguesa.
Justificativa para a alternativa correta – Letra C:
A alternativa C está correta ao afirmar que ela não analisa corretamente o excerto e o autor. Monteiro Lobato, Lima Barreto e Euclides da Cunha, embora apresentem estilos e enfoques próprios, compartilham críticas sociais profundas em suas obras, observando com olhar crítico a sociedade e o homem brasileiros. O texto da alternativa sugere que Lobato é “uma voz dissonante ideologicamente”, o que não corresponde à realidade literária. Como observam Celso Cunha & Lindley Cintra, a coerência textual e a análise comparativa adequada requerem a contextualização das obras e a compreensão da crítica social presente nelas.
Por que as demais alternativas estão incorretas?
A) A passagem destaca que o caboclo permanece alheio às grandes transformações históricas, confirmando que tais movimentos passaram despercebidos por ele. É, portanto, uma análise correta; não satisfaz o comando da questão.
B) Embora o gesto de acocorar-se tenha implicações simbólicas, não está explicitamente associado à marginalização por falta de recursos no texto. O erro ocorre ao afirmar uma relação direta entre a postura de Jeca e a exclusão oriunda da pobreza.
D) Comparar Jeca Tatu com Paulo Honório e Fabiano quanto à “falta de habilidade discursiva” não procede, pois estes personagens, ainda que pertençam ao universo do homem simples, apresentam trajetórias, níveis de consciência e inserções sociais distintas, de acordo com a análise de Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) sobre coerência e caracterização de personagens.
Estratégias para provas: Atente-se à coerência interna das alternativas. Frequente erro em questões de interpretação é generalizar características de autores ou personagens sem o devido respaldo textual. Observe termos como “dissonante”, “marginalizado” e “habilidade discursiva”: são construções que exigem atenção quanto à sua correspondência com o texto.
Resumo da aprendizagem: A interpretação textual depende da análise das ideias explícitas e implícitas, da comparação fundamentada com outros autores/personagens e do domínio do contexto histórico-literário.
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