Não está analisado corretamente o termo do penúltimo parág...
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Urupês
Quando Pedro I lança aos ecos o seu grito histórico e o país desperta estrovinhado à crise duma mudança de dono, o caboclo ergue-se, espia e acocora-se de novo.
Pelo treze de maio, mal esvoaça-se o florido decreto da Princesa e o negro exausto larga num uf! O cabo da enxada, o caboclo olha, coça a cabeça, imagina e deixa que do velho mundo venha quem nele pegue de novo.
A 15 de Novembro troca-se um trono vitalício pela cadeira quadrienal. O país bestifica-se ante o inopinado da mudança. O caboclo não dá pela coisa.
Jeca Tatu é um piraquara do Paraíba, maravilhoso epítome de carne onde se resumem características da espécie.
De pé ou sentado, as ideias se lhe entramam, a língua emperra e não há de dizer coisa com coisa.
Nos mercados para onde leva a quitanda domingueira, é de cócoras, como um faquir de Bramaputra, que vigia os cachinhos de brejaúva ou o feixe de três palmitos.
Pobre Jeca Tatu! Como és bonito no romance e feio na realidade!
(Monteiro Lobato)
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Tema central: Função sintática de orações e termos da oração, especialmente a distinção entre orações com valor de substantivo (orações subordinadas substantivas) e orações com valor adjetivo (orações subordinadas adjetivas).
Esse é um conhecimento essencial em provas de concursos na área, pois permite identificar a relação entre as partes oracionais, distinguindo adjunto adnominal, predicativo, objeto, etc., e reconhecendo elementos que acrescentam detalhes a um substantivo ou o substituem na estrutura sintática.
Justificativa para a alternativa correta (letra D):
A alternativa D afirma que "que vigia os cachinhos" é uma oração com valor de substantivo. Isso não está correto.
Na frase analisada ("como um faquir de Bramaputra, que vigia os cachinhos de brejaúva ou o feixe de três palmitos"), o termo "que" retoma "faquir de Bramaputra" e introduz uma oração subordinada adjetiva restritiva. Ou seja, a oração serve para caracterizar o substantivo antecedente, funcionando como adjunto adnominal. Pelas gramáticas de Bechara e Cunha & Cintra, “orações subordinadas adjetivas” jamais têm valor de substantivo.
Análise das alternativas incorretas:
A) "como" – conjunção subordinativa comparativa.
Correta. O termo “como” realmente estabelece uma comparação: “de cócoras, como um faquir de Bramaputra…”. Trata-se de conjunção subordinativa comparativa, introduzindo oração adverbial comparativa.
B) "que", pronome relativo; um faquir antecedente.
Correta. “Que” é um pronome relativo, retomando o antecedente “um faquir de Bramaputra”, introduzindo a oração adjetiva restritiva que caracteriza esse termo.
C) "domingueira", "de Bramaputra" e "de brejaúva" são adjuntos adnominais.
Correta. Em “quitanda domingueira”, “domingueira” qualifica “quitanda”; em “faquir de Bramaputra”, “de Bramaputra” especifica “faquir”; em “cachinhos de brejaúva”, “de brejaúva” especifica “cachinhos”. Todos são adjuntos adnominais (Cunha & Cintra, Bechara).
Estratégia para a prova: Ao classificar termos ou orações, sempre identifique se ela se refere a um substantivo acrescentando qualidade (adjetiva/adjunto adnominal) ou se exerce papel típico de substantivo (subjetiva, objetiva, etc.). O erro da alternativa D é confundir esses papéis.
Resumo: O termo “que vigia os cachinhos...” é oração subordinada adjetiva, não substantiva. Os demais itens classificam corretamente as funções dos termos analisados.
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