Não exemplifica a função da linguagem presente no excer to: 

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Q3414414 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


" ... Esse nome de Pasárgada, que significa 'campo dos persas' ou 'tesouro dos persas', suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da Rua do Curvelo (Rio de Janeiro), num momento de fundo desânimo, da mais aguda sensação de tudo o que eu não tinha feito na minha vida por motivo da doença, saltou-me de súbito do subconsciente esse grito estapafúrdio: 'Vou-me embora p'ra Pasárgada!' Senti na redondilha a primeira célula de um poema, e tentei realizá-lo, mas fracassei [...]. Alguns anos depois, em idênticas circunstâncias de desalento e tédio, me ocorreu o mesmo desabafo de evasão da 'vida besta'. Desta vez o poema saiu sem esforço como se já estivesse pronto dentro de mim. Gosto desse poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida; e, também, porque parece que nele soube transmitir a tantas outras pessoas a visão e promessa da minha adolescência, essa Pasárgada onde podemos viver pelo sonho o que a vida madrasta não nos quis dar. Não sou arquiteto, como meu pai desejava, não fiz nenhuma casa, mas reconstruí e 'não como forma imperfeita neste mundo de aparências', uma cidade ilustre, que hoje não é mais a Pasárgada de Ciro, e sim a minha "Pasárgada".


(Manuel Bandeira. Itinerário de Pasárgada. Rio de Janeiro. Nova Fronteira; Brasília, INL, 1984) 
Não exemplifica a função da linguagem presente no excer to: 
Alternativas

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Tema central: Funções da linguagem, conceito essencial de interpretação textual segundo a Linguística, com destaque para Roman Jakobson. Em concurso, exige-se reconhecer a finalidade predominante do trecho: informar, emocionar, explicar o código, convencer ou organizar o contato.

Alternativa correta: B — “essa Pasárgada onde podemos viver pelo sonho o que a vida madrasta não nos quis dar”

Justificativa: A função conativa (ou apelativa) visa convencer ou induzir o receptor a agir, costumeiramente por meio de verbos no imperativo ou vocativo. No trecho da alternativa B, o autor não procura persuadir ou direcionar o leitor. O “podemos” remete a uma reflexão compartilhada, não há apelo direto. Pela norma-padrão e referência em Jakobson, só há função conativa quando o foco é o leitor como agente.

Análise das alternativas incorretas:

A) Metalinguagem: O autor explica o significado do termo “Pasárgada”. Ao falar sobre o significado da palavra, ele usa a própria linguagem para explicar a linguagem, caracterizando a função metalinguística (cf. Bechara, “Moderna Gramática Portuguesa”).

C) Emotiva: O excerto “gosto deste poema porque vejo nele, em escorço, toda a minha vida” expressa sentimentos do “eu” poético. É subjetividade pura, onde predomina a função emotiva.

D) Referencial: O trecho traz uma informação sobre o tempo e o local em que o autor morava: objetiva, centrada no contexto. Isso caracteriza a função referencial, de acordo com gramáticas de referência (Cunha & Cintra).

Estratégia de Interpretação: Ao analisar funções da linguagem, busque:

  • Palavras com carga emotiva → emotiva
  • Explicações sobre o código verbal → metalinguística
  • Apelo ou sugestão ao leitor → conativa
  • Informação objetiva → referencial

Atenção: muitos candidatos confundem a função conativa com qualquer trecho que inclua o pronome “você” ou “nós”. Para a função conativa estar presente, é preciso apelo intencional ao leitor.

Resumo: A alternativa B não exemplifica a função da linguagem exigida. Dominar as funções da linguagem é fundamental e recorrente em provas para Professor de Língua Portuguesa.

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