Qual das seguintes palavras que constam no texto está acentu...
As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
A louca vida sexual das plantas
- Mal entrou na puberdade e ela só quer, só pensa, em namorar. Uns argumentam que ainda é
- jovem, um botão em flor, mas isso nunca foi um grande problema para ela, que vem se
- preparando para desabrochar desde que era um brotinho. Apesar de ter criado raízes junto aos
- pais, sente que é hora de formar sua própria família e gerar seus rebentos. Para conceber as
- sementes dessa transformação silenciosa, a moça se insinua aos quatro ventos, ludibria os
- varões e cria sugestivas armadilhas. Se preciso, ela se vestirá de forma sensual e se cobrirá com
- perfumes, tudo para deixar sua herança na terra – e, com sorte, gerar bons frutos para as
- próximas gerações.
- Sob a ótica de uma flor, um jardim é uma grande orgia. Cactos e ipês fazem. Trepadeiras,
- claro, fazem. A mais prosaica violeta e a rosa caríssima fazem. De fato, assim que provaram o
- gostinho da coisa pela primeira vez, cerca de 145 milhões de anos atrás, 415 milhões de anos
- depois de a primeira alga verde chegar à terra firme, as plantas logo perceberam que o sexo
- poderia trazer benefícios interessantes. Vamos a eles.
- À primeira vista, o sexo parece pouco importante para as plantas. Isso porque a maior parte
- delas é hermafrodita: um mesmo indivíduo tem tanto um ovário, sua porção feminina, quanto
- grãos de pólen, pequenas estruturas que encerram os gametas masculinos. A reprodução
- sexuada, que leva o pólen até o ovário, não deveria, portanto, demandar grandes esforços. Mas
- não é isso que acontece na realidade. Uma flor só se entrega ao solitário prazer da fecundação
- própria quando sua sobrevivência está sob ameaça. É que um vegetal autofecundado cria
- descendentes geneticamente idênticos à mãe. Mal negócio. A reprodução sexuada junta e
- embaralha genes de dois indivíduos. O filho nasce com um código genético só dele (é
- precisamente o seu caso, leitor ou leitora – você é só um embaralhamento aleatório dos genes
- dos seus pais). A vantagem aí é que códigos genéticos novos produzem anticorpos inéditos na
- natureza. É uma bela vantagem do ponto de vista da espécie. Se um vírus mortal infectar todos
- os indivíduos de uma espécie, alguns vão sobreviver, já que provavelmente terão nascido com
- anticorpos que, por sorte, conseguem defende-los do ataque. Se todos tivessem os mesmos
- genes, um único ataque viral poderia exterminar a espécie inteira. É por isso que você faz sexo.
- Não houvesse essa pressão evolutiva, não existiriam pênis, vagina, tesão, orgasmo. Nada.
- Mas voltemos a falar de flores. Como não podem sair do lugar, as flores recorrem a aves,
- insetos e pequenos mamíferos — seus polinisadores — para misturar seu material genético ao de
- outras. Essa sacada garantiu às plantas floríferas uma diversidade enorme, se comparadas aos
- vegetais sem flor, como musgos, pinheiros e samambaias. Ainda assim, isso não quer dizer que
- uma flor jamais vai se fecundar sozinha. Há casos em que isso se torna necessário. Em condições
- normais, a violeta-africana produz flores no alto de hastes longas, boas para atrair a atenção de
- insetos e reproduzir-se embaralhando seus genes com os de outra flor, distante. Mas, se notar
- que as condições estão ruins — o clima ficou frio ou quente demais, por exemplo —, a mesma
- violeta pode gerar flores de haste curta, que ficam escondidas pelas folhas e se autofecundam
- ainda em botão.
- Nesse caso, o alerta que vai determinar qual tipo de sexo elas vão praticar é dado por
- estruturas celulares especializadas, que registram alterações na intensidade da luz solar ou na
- quantidade de horas de escuro. “Uma planta é capaz de perceber mudanças mínimas na oferta
- de nutrientes ou mesmo detectar que os dias estão ficando mais curtos e, portanto, o inverno
- está chegando”, diz o biólogo Thales Kronenberger, especialista em biologia molecular e
- parasitologia.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em https://super.abril.com.br/ciencia/a-louca-vida- sexual-das-plantas/. Acesso em 09 out. 2018.
Qual das seguintes palavras que constam no texto está acentuada INCORRETAMENTE?
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Gabarito comentado
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Gabarito Comentado: Alternativa D
Tema central: Ortografia e acentuação gráfica, com foco nas regras de colocação pronominal e uso correto dos pronomes oblíquos átonos agregados a verbos terminados em -r. Essencial para o cargo de Educador Físico, pois exige atenção à linguagem formal e ao domínio da escrita padrão.
Para resolver questões dessa natureza, é fundamental conhecer a regra normativa que determina: quando um verbo terminado em **-r, -s** ou **-z** é seguido por um pronome oblíquo átono (o, a, os, as), retira-se a consoante final do verbo e a vogal base recebe acento circunflexo ou agudo, conforme o caso. Fonte: Evanildo Bechara, Celso Cunha & Lindley Cintra.
Análise da alternativa D ("defende-los"):
A forma correta deveria ser defendê-los. Veja por quê:
- O verbo “defender” termina com “-r”.
- Ao agregar o pronome "os", o "r" final deve ser retirado: defender + os → "defendelos", mas combine-se como “defendê-los” (acento circunflexo obrigatório sobre o “e”).
- Acentuação necessária para manter a sílaba tônica correta perante a supressão do "r".
Por que as outras alternativas estão corretas?
- Raízes: paroxítona terminada em "-es", acento correto (ra-í-zes).
- Pólen: paroxítona terminada em "-en" (pó-len), acentuação correta.
- Vírus: paroxítona terminada em "-us" (ví-rus), acentuação correta.
- Florífera: toda proparoxítona é acentuada (flo-rí-fe-ra).
Atenção! Em provas, palavras formadas por verbos + pronomes, especialmente em ênclise, exigem cuidado duplo: verifique a retirada de consoantes finais e a colocação do acento gráfico.
Exemplo clássico: “fazer + o” = “fazê-lo”.
Dica para concursos: Ao encontrar combinações como “dizerlo”, “colherlo” ou “divulgarla”, desconfie: o correto é dizer “dizê-lo”, “colhê-lo” e “divulgá-la”, sempre respeitando a regra da retirada da consoante final e acento gráfico obrigatório.
Resumo: Só a alternativa D está acentuada incorretamente devido à violação da regra gramatical exposta.
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Comentários
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A palavra "Defende-los" (alternativa D) está acentuada incorretamente.
- A - Raízes:
- Correto. Está acentuada de acordo com a regra das palavras oxítonas terminadas em ditongos crescentes, como raízes.
- B - Pólen:
- Correto. Está acentuada por ser uma paroxítona terminada em "n".
- C - Vírus:
- Correto. Está acentuada por ser uma paroxítona terminada em "us".
- D - Defende-los:
- Incorreto. O correto é defendê-los, pois o pronome oblíquo átono (os/los) provoca a necessidade de manter o acento da forma verbal. No caso, defender tem o acento no ê na sua forma reduzida (defendê).
- E - Florífera:
- Correto. Está acentuada por ser uma proparoxítona, e todas as proparoxítonas são acentuadas.
Deixou de ser acentuada, não a que foi acentuada incorretamente.
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