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Q2466962 Português
        Quando se fala que o surgimento da escrita não foi apenas a aquisição de mais um modo de expressão, mas também uma revolução, é porque ela mudou toda uma forma de organizar os pensamentos. Na cultura oral, a memória é que determina o conhecimento, portanto só sabemos o que podemos recordar, como pontuou o filósofo e historiador cultural Walter Ong. Dessa forma, o pensamento foi moldado a partir da repetição oral, dos padrões rítmicos ou de alguma forma mnemônica, e de um ritmo mais lento na evolução dos acontecimentos.
         Quando o suporte sai do corpo da pessoa e vai para a argila, a cerâmica, a pedra, mais tarde para o pergaminho e o papel — suportes que criam a possibilidade de a pessoa retomar a leitura para relembrar ou refletir sobre um acontecimento —, a própria elaboração do pensamento e a transmissão do conhecimento são afetadas. Para além disso, sendo a leitura em suporte escrito uma atividade individualizada, solitária na maioria das vezes, ela modifica a relação de comunicação que se tinha antes na cultura oral, na qual há unidade entre quem fala e quem ouve.

O resultado disso teria sido tão impactante que Ong classifica a escrita como uma tecnologia ainda mais extrema que a impressão e os computadores, por exemplo. “A escrita, a impressão e os computadores são todos meios de tecnologizar a palavra. A escrita é, de certo modo, a mais drástica das três tecnologias. Ela iniciou o que a impressão e os computadores apenas continuam, a redução do som dinâmico a um espaço mudo, o afastamento da palavra em relação ao presente vivo, único lugar em que as palavras faladas podem existir. Ao contrário da linguagem natural, oral, a escrita é inteiramente artificial”, escreveu ele.

Renata Penzani. Por que a escrita é a grande revolução da humanidade?
Internet:<www.companhiadasletras.com.br>  (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto precedente.


No primeiro período do primeiro parágrafo, o segmento “mas também” correlaciona ideias que se opõem, visto que o vocábulo “mas” veicula noção de oposição.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E) errado

Tema central: utilização de conjunções coordenativas, com foco na locução “mas também” e sua função semântica – adição ou oposição.

1. Entendendo a questão:
A dúvida está em interpretar o valor semântico de “mas também” no trecho: “não foi apenas a aquisição de mais um modo de expressão, mas também uma revolução”. A questão sugere que existe oposição, por causa da palavra “mas”.

2. Justificativa da alternativa correta:
Pela norma-padrão da Língua Portuguesa, “mas também” é, nesse contexto, uma locução aditiva. Ela aparece geralmente após estruturas como “não só” ou “não apenas” para acrescentar uma informação à anterior, e não para criar oposição.

Veja a regra em Bechara (2009):
“As conjunções aditivas caracterizam-se por unir e somar elementos. Exemplos: e, nem, não só... mas também, não apenas... mas ainda.”

Assim, o texto afirma que o surgimento da escrita foi não apenas uma simples aquisição, mas também uma revolução — ou seja, ele soma ideias.

3. Por que a alternativa “certo” está errada?
A resposta só seria “certo” se “mas” estivesse sendo usado isoladamente, como em “Quero sair, mas está chovendo” (oposição).
Na expressão “mas também”, todavia, como destaca Cunha & Cintra, o sentido é exclusivamente de soma e não de contraste.

4. Estratégia para evitar pegadinhas:
Fique atento a locuções conjuntivas que mudam de sentido conforme o uso! Não confunda “mas” (oposição) com “mas também” (adição em estruturas negativas/expansivas).

Resumo: “Mas também”, no contexto apresentado, relaciona informações que se somam, segundo a gramática normativa, sendo errada qualquer interpretação que aponte oposição.

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Comentários

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"Quando se fala que o surgimento da escrita não foi apenas a aquisição de mais um modo de expressão, mas também uma revolução"

Não só, mas também = ADITIVO

O surgimento da escrita foi a aquisição de um modo de expressão e também uma revolução.

Adição

Gab: errado

Gab: Errado

1. Conjunções aditivas

E, nem, não só...mas também, não só... como também.

As conjunções aditivas exprimem soma, adição de pensamentos, por exemplo:

Ana não fala nem ouve.

Na festa, comeu e bebeu à vontade.

Trabalha muito, mas também se diverte.

2. Conjunções adversativas

Mas, porém, contudo, entretanto, no entanto, todavia, não obstante.

As conjunções adversativas exprimem oposição, contraste, compensação de pensamentos, por exemplo:

Não fomos campeões, todavia exibimos o melhor futebol.

Telefonei, mas ninguém atendeu.

Tentou falar, contudo ele não quis ouvir.

outro erro é tratar o MAS como oposição

PF 2025

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