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Q3222015 Medicina
Um recém-nascido a termo, com peso ao nascer de 4,2 kg, apresentou distócia de ombro durante o parto vaginal. Após o nascimento, notou-se fraqueza no membro superior direito, com ausência de reflexo de Moro no lado afetado, mas preservação do reflexo de preensão palmar. O bebê apresenta braço em adução e rotação interna, o cotovelo estendido e o punho fletido.
Considerando o quadro clínico, assinale a opção que apresenta o diagnóstico mais provável e o manejo inicial recomendado.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: lesão do plexo braquial neonatal em recém-nascido macrossômico após distócia de ombro. Padrão clínico descrito: “waiter’s tip” (braço em adução e rotação interna, cotovelo estendido, punho fletido) com Moro ausente no lado e preensão palmar preservada.

Alternativa correta: AParalisia de Erb-Duchenne (C5–C6). O padrão “waiter’s tip” resulta da fraqueza de deltoide, supra/infraespinhal, bíceps e braquiorradial. A preensão palmar preservada indica integridade de C8–T1, reforçando que não é lesão inferior. O Moro ausente ipsilateral é típico por perda de abdução do ombro. Manejo inicial: iniciar fisioterapia precoce (amplitude de movimento passiva para evitar contraturas e subluxação do ombro), orientar posicionamento e acompanhamento especializado. Reavaliar por volta de 3 meses: ausência de flexão ativa do cotovelo/bíceps é critério para considerar intervenção cirúrgica (enxerto/transferência nervosa). Diretrizes: SBP e UpToDate recomendam abordagem conservadora inicial com reavaliação funcional seriada.

Por que as outras estão incorretas?

B) Lesão total do plexo + ENMG imediata/cirurgia: a lesão total (C5–T1) cursa com membro flácido, perda da preensão e, por vezes, síndrome de Horner. Não condiz com a preensão preservada e o padrão “waiter’s tip”. A eletroneuromiografia precoce (<4 semanas) é de baixa acurácia; costuma-se postergar para após 3–4 semanas se necessário. Cirurgia não é imediata; decisão depende da recuperação clínica até ~3 meses (SBP/UpToDate).

C) Paralisia de Klumpke (C8–T1): acomete a mão (“mão em garra”), com perda da preensão palmar e possível Horner. O caso tem preensão preservada e déficit proximal de ombro/cotovelo, incompatíveis com Klumpke.

D) Fratura de clavícula: pode causar “pseudoparalisia” por dor e Moro ausente, mas espera-se dor/crepitação à palpação e não o padrão típico de Erb. Radiografia é útil quando suspeita clínica, e a conduta seria tipoia para conforto. Aqui, o achado postural específico aponta para plexo braquial.

Estratégia de prova: associe distócia de ombro + RN macrossômico a lesão de plexo. Se o Moro está ausente e a preensão é preservada, pense em Erb (C5–C6). Padrão “waiter’s tip” sela o diagnóstico. Lembre: fisioterapia precoce e reavaliação aos 3 meses para decidir sobre cirurgia.

Referências: Sociedade Brasileira de Pediatria – Paralisia do Plexo Braquial Obstétrica; UpToDate – Neonatal brachial plexus palsy; AAP/ACOG sobre distócia de ombro e sequelas.

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