Assinale a alternativa que se justifica pelo texto.

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Q2976806 Português

Educação e autoridade


Negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angústia. Os pais, por mais moderninhos que sejam, no fundo sabem que algo vai mal. Quem dá forma ao mundo ainda informe de uma criança e um préadolescente são os adultos. Se eles se guiarem por receitas negativas de como educar – possivelmente não educando –, a agressividade e a inquietação dos filhos crescerão mais e mais, na medida em que eles se sentirem desprotegidos e desamados, porque ninguém se importa em lhes dar limites. Falta de limites, acreditem, é sentida e funciona como desinteresse.

Um não é necessário na hora certa, e mais que isso: é saudável e prepara bem mais para a realidade da vida (que não é sempre gentil, mas dá muita porrada) do que a negligência de uma educação liberal demais, que é deseducação. Quem ama cuida, repito interminavelmente, porque acredito nisso. Cuidar dá trabalho, é responsabilidade e nem sempre é agradável ou divertido. Pobres pais atormentados, pobres professores insultados e colegas maltratados. Mas, sobretudo, pobres crianças e jovenzinhos malcriados, que vão demorar bem mais para encontrar seu lugar no grupo, na comunidade, na sociedade maior e no vasto mundo.

(Fragmentos. Lya Luft, in Veja, 23 set. 2009, p. 26)


Observação: Os números entre parênteses indicam a linha (ou linhas) em que, no texto, se encontram as palavras ou expressões entre aspas.

Assinale a alternativa que se justifica pelo texto.

Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a relação causal explicitada no texto entre educação com ordem, disciplina e limites e os efeitos da sua ausência. A base textual afirma que "Negar a necessidade de ordem e disciplina promove hostilidade, grosseria e angústia" e que a "Falta de limites" é "sentida" pelos filhos; por isso, a alternativa D é a que melhor reproduz essa tese sem distorção.

Tema central: ordem, disciplina e limites na educação
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa altera a causa formulada pela autora. O texto realmente diz que essas crianças e jovens "vão demorar bem mais para encontrar seu lugar no grupo, na comunidade, na sociedade maior e no vasto mundo", mas vincula isso à má educação marcada pela falta de limites, não especificamente ao fato de "não foram preparados para viver em comunidade". O erro é de extrapolação interpretativa da causa.
B
Errada
Em "Falta de limites, acreditem, é sentida e funciona como desinteresse", o imperativo "acreditem" interpela o leitor de modo genérico. Não há marca textual que restrinja esse chamamento aos "pobres pais e professores insultados". Além disso, essa expressão aparece depois, em construção descritiva, e não como vocativo. O erro está na identificação indevida do interlocutor discursivo.
C
Errada
A expressão "jovenzinhos malcriados" não indica afeto pela juventude em geral. No contexto, ela traz avaliação crítica de jovens sem educação adequada, ainda que apareça em sequência com "pobres crianças", o que introduz compaixão pela situação. O diminutivo, isoladamente, não autoriza a leitura de afeto; o adjetivo "malcriados" e o contexto argumentativo impedem essa conclusão.
D
Certa
A alternativa D recompõe com fidelidade a tese central do fragmento: filhos devem ser educados com ordem, disciplina e limites, porque a falta disso lhes causa efeitos negativos. Essa leitura é sustentada diretamente pelos trechos em que a autora afirma que negar ordem e disciplina promove "hostilidade, grosseria e angústia", que a "Falta de limites [...] é sentida e funciona como desinteresse" e que "Um não é necessário na hora certa". Portanto, a ideia de que os filhos se ressentem da ausência de limites está autorizada pelo próprio texto.
Pegadinha da questão
A banca explora paráfrases que parecem próximas do texto, mas distorcem um ponto específico: em A, a causa é reformulada com extrapolação; em B, o interlocutor de "acreditem" é restringido sem apoio textual; em C, o diminutivo pode enganar quem ignora o valor crítico de "malcriados" no contexto.
Dica para questões semelhantes
  • Em interpretação argumentativa, confirme se a alternativa preserva exatamente a relação de causa e consequência do texto, sem trocar a causa por uma formulação apenas parecida.
  • Quando houver verbo no imperativo ou marca de interlocução, identifique se o destinatário é específico ou genérico antes de associá-lo a personagens ou grupos citados depois.
  • Não interprete uma palavra isoladamente: o sentido de expressões avaliativas depende do conjunto, especialmente quando há adjetivo que redefine o valor do termo.

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