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Q3222011 Medicina
Um adolescente de 15 anos, com diagnóstico recente de diabetes mellitus tipo 1, é admitido no pronto-socorro com cetoacidose diabética (CAD) grave. Ele apresenta vômitos, dor abdominal, taquicardia e letargia. Exames laboratoriais revelam: glicemia de 480 mg/dL, pH arterial de 7,12, bicarbonato de 7 mEq/L, potássio sérico de 5,5 mEq/L e sódio sérico corrigido de 132 mEq/L.
Após início de reposição de fluidos com solução salina isotônica, administração de insulina intravenosa e monitoramento laboratorial, assinale a opção que apresenta o distúrbio hidroeletrolítico mais esperado durante o tratamento e indica como ele deve ser manejado.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: O tema envolve distúrbios hidroeletrolíticos durante o tratamento da cetoacidose diabética (CAD) em adolescentes, destacando o importante manejo do potássio nesse contexto clínico.

Justificativa da alternativa correta (B): Hipocalemia é o distúrbio eletrolítico mais esperado durante o tratamento da CAD. Mesmo que o paciente se apresente inicialmente com potássio sérico elevado devido à acidose e à deficiência de insulina, há uma depleção total de potássio no organismo. Com o início da insulina e da correção da acidose, o potássio migra do espaço extracelular para o intracelular, podendo surgir hipocalemia grave, que pode causar arritmias fatais.

Assim, as principais diretrizes internacionais e revisões como UpToDate e Harrison's Principles of Internal Medicine orientam: “A reposição de potássio deve ser iniciada assim que o nível cair abaixo de 5,0 mEq/L e houver diurese adequada” (UpToDate, seção: Management of diabetic ketoacidosis in children and adolescents).

Análise das alternativas incorretas:

A) Hiponatremia dilucional; Embora muitos pacientes apresentem sódio baixo ao admissão, o sódio “corrigido” pode estar normal ou até elevado. Não é o distúrbio prioritário nem o mais esperado durante o tratamento. O ajuste da infusão salina é guiado pelo sódio corrigido, porém a hipocalemia requer maior atenção.

C) Hipernatremia; Este distúrbio não é esperado neste cenário. A maioria dos pacientes com CAD apresenta hiponatremia ou sódio normal, e a hipernatremia, quando ocorre, é geralmente resultado de erro terapêutico ou desidratação extrema corrigida inadequadamente.

D) Hipermagnesemia; Totalmente incomum em CAD e não faz parte do manejo rotina. O magnésio por via de regra pode até reduzir-se, mas raramente exige intervenção nos moldes sugeridos.

Estratégias de prova: Atenção às situações de pseudohipercalemia e à orientação explícita nas diretrizes quanto à monitorização do potássio durante o tratamento. Sempre procure no enunciado sinais de risco de arritmias e relação entre insulina/ácidos/potássio.

Conclusão: O manejo correto do potássio em CAD é base fundamental na pediatria. Saber reconhecer o risco de hipocalemia e atuar de forma preventiva é essencial e frequentemente cobrado em concursos.

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