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Q3222006 Medicina
Um menino de 5 anos é trazido ao hospital com febre alta, letargia e sinais de hipoperfusão, incluindo extremidades frias e pulsos fracos. O exame físico revela hiperventilação e erupção cutânea difusa. Apresenta ainda taquicardia e pressão arterial de 80/50 mmHg.
Assinale a opção que apresenta a fisiopatologia subjacente ao choque séptico que explica esta apresentação clínica e a primeira conduta adequada.
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Tema central: choque séptico pediátrico. Trata-se, em geral, de um choque distributivo, com liberação de mediadores inflamatórios que causam vasodilatação sistêmica, aumento da permeabilidade capilar (fuga de plasma) e hipovolemia relativa. Em crianças, é comum o fenótipo de choque frio (extremidades frias, pulsos fracos), com hipotensão como sinal tardio.

Raciocínio clínico do caso: febre, letargia, taquicardia, hipotensão (80/50 mmHg), extremidades frias e pulsos fracos indicam hipoperfusão. A hiperventilação sugere compensação de acidose metabólica (lactato elevado). Exantema difuso favorece etiologia infecciosa. Quadro compatível com choque séptico descompensado, fenótipo frio.

Alternativa correta: AVasodilatação periférica com hipovolemia; iniciar fluidos IV.
A inflamação séptica leva à vasodilatação e à fuga capilar, reduzindo o retorno venoso e o débito cardíaco (hipovolemia relativa/absoluta). A primeira conduta recomendada é expansão volêmica com cristaloide isotônico (20 mL/kg em bolus, com reavaliações seriadas, podendo chegar a 40–60 mL/kg na primeira hora), visando restaurar perfusão. Diretrizes: Surviving Sepsis Campaign – pediátrica (2020), PALS/AHA, e Manual da SBP.

Análise das incorretas:

B) Microtrombose → anticoagulação: a coagulação intravascular disseminada pode ocorrer na sepse, mas não explica primariamente o choque nem é alvo da conduta inicial. Anticoagulação só é indicada em trombose confirmada ou situações específicas; há risco de sangramento na coagulopatia séptica.

C) Aumento da RVS → vasopressores: a fisiopatologia típica é de RVS reduzida. No choque “frio” infantil há vasoconstrição periférica compensatória, mas o primeiro passo é volume. Vasopressores (ex.: epinefrina para choque frio; norepinefrina para choque quente) são indicados se refratário à reposição volêmica adequada e devem ser iniciados após antibiótico e monitorização.

D) Desidratação severa → diuréticos: diuréticos agravam hipovolemia e pioram a perfusão em choque séptico. O manejo é oposto: expansão volêmica.

Conduta na primeira hora (resumo prático): via aérea e oxigênio; acesso IV/IO; cristaloide 20 mL/kg em bolus com reavaliação; antibiótico de amplo espectro até 1 hora após reconhecimento; coletar culturas e lactato; corrigir hipoglicemia/hipocalcemia; se choque persistir após 40–60 mL/kg, iniciar vasopressor adequado ao fenótipo.

Pegadinhas de prova: hipotensão é tardia em crianças; não iniciar vasopressor antes de reposição volêmica; não confundir sepse com desidratação simples; anticoagulação não é abordagem inicial do choque.

Referências: Surviving Sepsis Campaign 2020 (pediátrica); PALS/AHA; Sociedade Brasileira de Pediatria; UpToDate; Nelson Textbook of Pediatrics.

Gabarito: A

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