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Q3222005 Medicina
Uma criança de dois anos é trazida à consulta médica com queixas de diarreia aquosa que começou há três dias, acompanhada de febre baixa, vômitos, oligúria e irritabilidade. Ao exame nota-se paciente com diminuição do turgor e elasticidade da pele, além de boca seca.
A conduta inicial mais adequada para o manejo desse paciente é
Alternativas

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Tema central: manejo da diarreia aguda em criança com sinais de desidratação leve a moderada. O enunciado descreve mucosa oral seca, diminuição do turgor cutâneo, irritabilidade e oligúria, sem sinais de choque ou rebaixamento importante — quadro típico para hidratação por via oral.

Alternativa correta: A — iniciar soro de reidratação oral (SRO) imediatamente.

Justificativa clínica: Segundo a OMS/UNICEF (Planos A/B/C) e a SBP, crianças com “alguma desidratação” devem receber SRO de início, pois é eficaz, segura e reduz hospitalizações e mortalidade. Orienta-se 75 mL/kg em 4 horas (Plano B), com oferta fracionada (colher/copo) para tolerar melhor o vômito. Reavaliar após 4 horas; se melhora, seguir manutenção com 10 mL/kg após cada evacuação diarreica, manter aleitamento/dieta habitual e prescrever zinco (10 mg/dia se <2 anos; 20 mg/dia se ≥2 anos por 10–14 dias), conforme OMS e Ministério da Saúde. Vômitos não contraindicam SRO: administrar pequenas quantidades repetidas.

Estratégia de interpretação: identifique sinais de gravidade (letargia, choque, pulsos filiformes, incapacidade de beber). Ausentes aqui, portanto sem indicação inicial de hidratação venosa.

Análise das incorretas

B — antibióticos: Não são de rotina na diarreia aguda viral, causa mais comum nessa idade. Indicados apenas em disenteria (sangue nas fezes com febre), suspeita de cólera grave, infecção sistêmica ou imunossupressão, conforme OMS/SBP/UpToDate. Uso indiscriminado aumenta resistência e efeitos adversos.

C — hidratação intravenosa imediata: Reservada a desidratação grave ou choque, ou quando há falha/contraindicação da via oral (ex.: letargia, incapacidade de beber, vômitos incoercíveis). No caso, os achados apontam para grau leve-moderado, logo a via oral é a de escolha.

D — dieta sem glúten: Não indicada no manejo da diarreia aguda infecciosa. Dieta sem glúten é terapêutica para doença celíaca, diagnóstico não sugerido aqui. Recomenda-se manter alimentação habitual, evitando jejuns, conforme SBP e MS.

Pegadinhas de prova: oligúria e vômitos leves não obrigam hidratação venosa; a chave é o estado geral e a capacidade de ingerir líquidos. Lembre: sangue nas fezes ou toxemia mudam a conduta (investigar/antibioticoterapia dirigida).

Referências rápidas: OMS/UNICEF – Tratamento da diarreia (Planos A/B/C); Sociedade Brasileira de Pediatria – Manejo da diarreia aguda; Ministério da Saúde – AIDPI; UpToDate – Acute gastroenteritis in children: rehydration therapy.

Gabarito: A

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