Uma criança de 6 meses é levada ao pronto-socorro com quadro...
Sobre os critérios clínicos que indicam o uso do CNAF, assinale a afirmativa correta.
Gabarito comentado
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Tema central: Indicações do cateter nasal de alto fluxo (CNAF) em bronquiolite. O CNAF fornece oxigênio aquecido/umidificado em alto fluxo (1–2 L/kg/min), gera pequena pressão positiva, lava o espaço morto nasofaríngeo e reduz o trabalho respiratório, melhorando oxigenação.
Alternativa correta: C – Indicar CNAF em desconforto respiratório moderado a grave, com SpO₂ < 92% apesar de oxigênio convencional e sinais de fadiga (gemência, tiragens, taquipneia persistente). Esse é o perfil típico na bronquiolite que se beneficia do CNAF, como passo de escala terapêutica após cateter de baixo fluxo.
Justificativa clínica: Na bronquiolite, há obstrução de pequenas vias aéreas por edema e muco, levando a hipoxemia e aumento do esforço ventilatório. O CNAF melhora a oxigenação e o padrão respiratório sem necessidade imediata de CPAP. Evidências (Cochrane 2021; UpToDate 2024) mostram redução de falha terapêutica e de necessidade de escalonamento versus oxigênio convencional. Diretrizes AAP/SBP/NICE recomendam CNAF para crianças com bronquiolite moderada a grave quando o O₂ convencional não mantém saturação alvo (geralmente ≥ 90–92%).
Análise das incorretas
A) “Grave com acidose e pH < 7,25” – Esse cenário sugere falência respiratória iminente, indicando CPAP/VNI ou intubação, não CNAF como primeira escolha. HFNC pode atrasar a ventilação adequada nesse contexto. (SBP Bronquiolite; AAP 2014/2018)
B) “Somente após falha do CPAP” – Inversão da hierarquia. O CNAF é, em geral, o primeiro passo de escalonamento após O₂ convencional. O CPAP é reservado para falha do CNAF ou quadros mais graves.
D) “Não usar se há esforço respiratório” – Equivocado: o principal alvo do CNAF é justamente o paciente com esforço respiratório. Além disso, o CNAF tende a auxiliar na eliminação de CO₂ por lavagem de espaço morto; não há evidência de aumento de retenção de CO₂ quando bem indicado e monitorado.
Como interpretar na prova
Procure por: 1) Moderado/grave (tiragens, gemência, taquipneia); 2) Hipoxemia persistente com O₂ de baixo fluxo; 3) Sinais de fadiga. Esses três elementos apontam para CNAF. Red flags para CPAP/intubação: apneias, rebaixamento, SpO₂ < 90% com FiO₂ alta, pH < 7,25, hipercapnia progressiva.
Dicas práticas: Iniciar fluxos de 1–2 L/kg/min com prongas ocupando < 50% das narinas; reavaliar em 30–60 min. Sem resposta (frequência/uso de musculatura acessória/saturação), escalar para CPAP/VNI.
Referências: Sociedade Brasileira de Pediatria – Bronquiolite; AAP Guideline Bronchiolitis (2014, atualização); NICE Bronchiolitis (2021); UpToDate (2024) High-flow nasal cannula in infants; Cochrane Review (2021) HFNC vs O₂ convencional.
Gabarito: C.
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