Sobre o papiledema, considere a alternativa incorreta:
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Tema central: Papiledema é o edema bilateral da cabeça do nervo óptico secundário à elevação da pressão intracraniana (PIC), por estase do fluxo axoplasmático e congestão venosa, sem processo inflamatório primário.
Alternativa incorreta (Gabarito): A — Define papiledema como “congestão inflamatória” da papila por aumento da PIC. Isso é conceitualmente errado: o papiledema é não inflamatório. Inflamação do disco com baixa visão dolorosa e defeito pupilar sugere neurite óptica (papilite), não papiledema.
Por que as demais estão corretas?
B — As causas listadas (tumores/abscessos, hematoma subdural, MAV, HSA, hidrocefalia, meningite/encefalite) elevam a PIC e são causas típicas de papiledema. Acrescente-se a hipertensão intracraniana idiopática (HII) como causa frequente em mulheres jovens com sobrepeso (Harrison’s; UpToDate).
C — No papiledema agudo, são comuns hemorragias em chama e exsudatos algodonosos (isquemia da camada de fibras nervosas), sinalizando risco de lesão axonal; a acuidade visual pode estar preservada no início, mas há escurecimentos transitórios e aumento do escotoma fisiológico (AAO BCSC).
D — A instalação é subaguda: início em 24–48 h após aumento da PIC e desenvolvimento pleno em ~1 semana; o edema persiste por dias-semanas mesmo após normalizar a PIC (UpToDate).
E — O manejo é tratar a causa subjacente o mais precocemente possível: neuroimagem urgente (preferir RM/RM venografia) antes de punção lombar; em lesões expansivas, terapia específica (neurocirurgia/antimicrobianos); na HII, acetazolamida e perda ponderal, podendo indicar fenestração da bainha do nervo óptico ou derivação liquórica se falha ou ameaça visual (Diretrizes AAO/UpToDate).
Como interpretar em prova (estratégia): identifique a palavra‑chave “inflamatória” — é a pegadinha clássica que diferencia papiledema (não inflamatório) de papilite (inflamatória). Busque também menções a causas de aumento de PIC, achados fundoscópicos e cronologia.
Diagnóstico na prática: fundoscopia com margens borradas, elevação do disco, veias tortuosas, hemorragias, possíveis linhas de Paton. Excluir massa com neuroimagem; depois, se indicado, punção lombar com pressão de abertura elevada. Campo visual: ponto cego aumentado.
Referências rápidas: UpToDate: Evaluation of papilledema; AAO BCSC Neuro-Ophthalmology; Harrison’s Principles of Internal Medicine, cap. Neuro-oftalmologia.
Conclusão: A é incorreta por atribuir caráter inflamatório ao papiledema; B, C, D e E estão de acordo com a fisiopatologia, clínica, cronologia e tratamento baseados em evidências.
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