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Q3036546 Português
FACE A FACE
Mário Viana
        Telefonar voltou à moda. Depois de uma temporada intensa de e-mails, posts, voice-mails, memes e emojis, a quarentena nos fez redescobrir o prazer de ver os amigos – nem que seja pelo distanciamento social da chamada de vídeo. Quando o rosto conhecido surge na telinha do celular, falando de verdade com você, é como se um novo mundo antigo se descortinasse.
        Chamadas de vídeo lembram as festas de Natal de nossa infância, na parte em que a madrinha chegava carregando um presente bem vistoso. Só depois de adultos é que fomos descobrir as arapucas ocultas em cada rabanada. Na infância, bastava um pacote embrulhado em papel colorido pra coisa ficar excitante.
         Em tempos de isolamentos e rostos cobertos por máscaras, tem de haver um jeito de se sentir sócio do clube. A tecnologia tem dado conta do recado, com limites. Grupos de trabalho e debates, como os dos aplicativos Zoom e Team, são ótimos pra resolver problemas e esclarecer dúvidas, mas não suprem nossa carência de humanidade.
     Como disse um amigo esta semana, os aplicativos são os terrenos onde praticamos pequenos monólogos. Dificilmente alguém interrompe quem está falando. Falta a incompletude do diálogo, que só o telefonema permite.
      Quantas frases interrompidas, quantos assuntos deixados pela metade, quantos temas que mudam como o vento! Que delícia tudo isso! Tem nada melhor que desligar e bater na testa, esqueci de falar tal coisa. Ligação boa sempre deixa um rabicho de fora, desculpa esfarrapada pra outro telefonema – que, muitas vezes, não será dado.
      Na chamada de vídeo, ninguém fica esplendoroso. O bom é que ninguém também fica assustador – exceto os casos perdidos, claro. Alguns de nós ficam sem saber pra onde dirigir o olhar e outros se atrapalham com os ruídos corporais que podem atravessar o espaço através do celular.
      Sempre checamos nossa imagem, na pequena telinha que aparece como encarte. O cabelo está bom? Não, mas é o que temos para o momento. A roupa, a voz, parece até que vamos corrigir alguma coisa. Mas quando a conversa engata, esquecemos desses detalhes bestas – assim como na vida real.
      Muitas vezes, o melhor vem no fim, quando a conversa termina. Sobra um sorriso meio bobo na cara, aquela euforia de quem passou um dia gostoso na praia. A sensação de ter vivido um momento de prazer é o melhor efeito colateral dessas microtelevisões só nossas.

Fonte: https://vianices.wordpress.com/2020/07/26/face-a-face/
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Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito comentado:

Alternativa correta: A) Trata-se de uma crônica, pois apresenta questões do dia a dia pelo olhar do cronista.

Tema central da questão: Interpretação e reconhecimento de gêneros textuais. O candidato deve identificar as características que diferenciam crônica, conto, reportagem e minibiografia, com base na norma-padrão e em gramáticas de referência (Bechara, Cunha & Cintra, Rocha Lima).

Por que a alternativa A é correta?
O texto expõe, com linguagem leve, temas cotidianos (tais como o uso do telefone e das chamadas de vídeo durante a quarentena) sob ponto de vista pessoal e reflexivo. Isso caracteriza a crônica, gênero marcado por brevidade, subjetividade e aproximação com o leitor (Cunha & Cintra, Nova Gramática, seção sobre gêneros textuais).

Além disso, há um foco na experiência do cotidiano e nas impressões do autor, traço clássico do cronista conforme aponta Evanildo Bechara em Moderna Gramática Portuguesa (“A crônica registra, em tom coloquial, fatos banais do dia a dia”). O texto não se estrutura em torno de personagens ou enredo ficcional, nem apresenta objetividade jornalística.

Análise das alternativas incorretas:

  • B) Conto: Errado. O conto exige enredo, personagens delineados, tempo e espaço definidos. Aqui, faltam tais elementos de ficção ou narrativa estruturada.
  • C) Reportagem: Errado. Reportagem traz dados, entrevistas ou múltiplos pontos de vista de forma informativa e impessoal. O texto é subjetivo, sem a pretensão de informar criticamente, mas sim de refletir.
  • D) Minibiografia: Errado. Minibiografia detalha fatos marcantes da vida de alguém (reais e objetivos). O texto, embora utilize experiências do autor, não narra sua trajetória de vida.

Estratégias de prova: Sempre observe o tom subjetivo e a ausência de elementos ficcionais ou jornalísticos ao identificar crônicas. Atenção às palavras que indicam opinião, reflexão e cotidiano podem ser decisivas!

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Comentários

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  • Conto
  • É uma narrativa curta, de ficção, com um único conflito no enredo. O conto cria um universo de fantasia ou imaginação, com um narrador, personagens, ponto de vista e enredo. 

  • Crônica
  • É um gênero discursivo que retrata o cotidiano, com um tom humorístico ou crítico. A crônica é uma narrativa que se baseia em fatos reais, com o objetivo de provocar uma reflexão sobre acontecimentos comuns do dia a dia.

Fonte: IA.

A

Tudo posso naquele que me fortalece - Filipenses 4:13

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