Traumatismos vasculares representam uma importante causa de ...

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Q2402561 Medicina
Traumatismos vasculares representam uma importante causa de morbimortalidade. Estudos atuais demonstram que a ocorrência dessas lesões tem aumentado progressivamente com o passar do tempo, com estimativa de que cerca de 6% das vítimas de trauma civis apresentem alguma lesão vascular. No que se refere a trauma vascular, indique “V” para recomendações verdadeiras e “F” para recomendações falsas, às sentenças a seguir:

( ) Pacientes em coagulopatia, acidose metabólica (base excesso ≤ 10 ou pH < 7,1) e hipotermia, com necessidade de reconstrução vascular, possuem indicações para controle de danos em trauma vascular.
( ) Nos traumas cervicais contusos, as lesões de grau II e III das artérias carótidas e vertebrais podem ser conduzidas exclusivamente com antiagregação plaquetária e/ou anticoagulação.
( ) A cervicotomia continua sendo a opção preferencial para lesões com acesso cirúrgico menos complexo, como as lesões carotídeas em zona cervical 2.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta obtida no sentido de cima para baixo. 
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Gabarito: B — V - F - V

Tema central: trauma vascular. Pontos-chave: princípios de controle de danos, manejo do trauma cervical contuso (BCVI) e acesso cirúrgico em zonas do pescoço.

1) Verdadeiro — Indicação de controle de danos em trauma vascular
Pacientes com coagulopatia + acidose (pH < 7,1 ou base deficit acentuado) + hipotermia têm alto risco de falência hemostática. Nesses casos, a conduta é cirurgia de controle de danos: hemostasia rápida, shunt vascular temporário e adiamento da reconstrução definitiva até correção fisiológica. Baseado no conceito da “tríade letal” do ATLS e diretrizes WTA/EAST para trauma vascular.

Estratégia de prova: reconheça “tríade letal” como gatilho para não realizar reconstruções complexas imediatas.

2) Falso — BCVI grau II e III não são sempre tratados só com antiagregação/anticoagulação
Em trauma cervical contuso (BCVI, classificação de Biffl/Denver):
- Grau I–II: antitrombótico (heparina ou AAS/clopidogrel) é padrão na maioria dos casos.
- Grau III (pseudoaneurisma): frequentemente não resolve apenas com terapia antitrombótica; pode requerer reparo endovascular (stent/embolização) se sintomático, crescente ou com estenose significativa. Assim, afirmar condução “exclusivamente” medicamentosa para II e III é incorreto.
Referências: WTA/EAST (BCVI), ESVS/SVS e UpToDate.

Pegadinha: “exclusivamente” torna a assertiva errada por excluir casos de grau III com indicação endovascular.

3) Verdadeiro — Cervicotomia preferencial em lesões de zona II
A zona II do pescoço tem exposição cirúrgica direta mais simples. Em lesões carotídeas com sinais duros ou acesso facilitado, a cervicotomia segue como abordagem de escolha. O endovascular cresce, mas não substitui a preferência quando o acesso aberto é straightforward. Base: ATLS e diretrizes de trauma vascular (SVS/ESVS).

Por que as alternativas A, C e D estão erradas?
- A (V–V–F): erra o 2º item (não é V) e o 3º (não é F).
- C (F–F–V): 1º item é verdadeiro (controle de danos indicado), logo não pode ser F.
- D (V–V–V): 2º item não é V, pois grau III pode requerer intervenção endovascular.

Raciocínio prático para a prova
- Viu coagulopatia + acidose + hipotermia? Pense em shunt temporário e controle de danos.
- Em BCVI, guarde: grau I–II → antitrombótico; grau III → considerar endovascular se não estável/pequeno.
- Zona II: cervicotomia é via rápida e segura quando há indicação de abordagem aberta.

Referências essenciais: ATLS; Western Trauma Association e EAST (BCVI e controle de danos); ESVS/SVS Guidelines para trauma vascular; UpToDate (Blunt cerebrovascular injury, 2024).

Conclusão: a sequência correta é B (V–F–V) porque reflete os princípios atuais de controle de danos, o manejo nuanceado do BCVI e a preferência técnica para zona II.

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Comentários

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A primeira sentença é verdadeira (V), pois pacientes com coagulopatia, acidose metabólica e hipotermia são considerados instáveis e frequentemente requerem uma abordagem de controle de danos. O controle de danos em trauma vascular envolve a rápida restauração da perfusão através de métodos temporários, como shunting, adiando a reconstrução vascular definitiva até que as condições sistêmicas do paciente melhorem e permitam um procedimento mais seguro e efetivo. A segunda sentença é falsa (F), pois nem todas as lesões de grau II e III das artérias carótidas e vertebrais podem ser tratadas exclusivamente com antiagregação plaquetária e/ou anticoagulação. A decisão de tratamento depende da estabilidade da lesão, presença de sintomas neurológicos, e potencial para embolização ou progressão da lesão. Em alguns casos, pode ser necessária a intervenção cirúrgica ou endovascular, como stents ou reparo direto, especialmente se houver sinais de lesão cerebral secundária ou progressão da lesão vascular. A terceira sentença é verdadeira (V). A cervicotomia é de fato a abordagem preferencial para lesões carotídeas em zona cervical 2, que se refere à área do pescoço que vai da borda inferior do osso hióide até o bordo inferior da cartilagem cricoide. Esta região é mais facilmente acessada cirurgicamente e a cervicotomia oferece controle direto sobre a artéria para reparo. Portanto, a sequência correta das afirmações, de cima para baixo, é Verdadeira, Falsa, Verdadeira, que corresponde à alternativa B (V - F - V).

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