Uma criança, portadora de doença falciforme, é admitida na ...
Uma criança, portadora de doença falciforme, é admitida na emergência com priapismo há 24 horas, que não respondeu ao tratamento habitual.
A conduta correta, nesse caso, é:
Gabarito comentado
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Tema central: priapismo isquêmico em criança com doença falciforme — uma urgência urológica. Na falcização, há vaso-oclusão dos corpos cavernosos, hipóxia e acidose locais; ereção dolorosa e persistente, com risco de lesão permanente e disfunção erétil após 4–6 horas (24h = alto risco).
Alternativa correta: D – injeção local de fenilefrina
A conduta de escolha no priapismo isquêmico persistente é a injeção intracavernosa de simpatomimético alfa-1 (fenilefrina), geralmente associada à aspiração/irrigação dos corpos cavernosos. A fenilefrina promove vasoconstrição e relaxamento do músculo liso cavernoso, permitindo a drenagem venosa. Usar doses pequenas e fracionadas (ex.: 100–500 mcg por aplicação, diluída), com monitorização de PA/FC; em pediatria, ajustar ao peso. Além disso, em falcêmicos: hidratação venosa, analgesia e oxigênio. Se refratário, considerar shunt cirúrgico e, em casos selecionados, transfusão de troca após estabilização. Referências: AUA/SMSNA Guideline on Priapism (2022), UpToDate, Harrison’s.
Por que as demais estão incorretas?
A) Compressas frias: não são recomendadas no priapismo isquêmico; podem piorar a isquemia e a dor. Diretrizes urológicas desaconselham gelo no pênis em ereção isquêmica.
B) Redução da hidratação: contraproducente. Em doença falciforme, deve-se hidratar para reduzir viscosidade e falcização. Diminuir hidratação agrava a vaso-oclusão.
C) Repouso absoluto: conduta insuficiente e perigosa. O tempo é tecido; após horas de isquemia há necrose do músculo cavernoso. Exige intervenção ativa (aspiração e fenilefrina).
E) Corticoide: não há benefício no priapismo isquêmico falcêmico. Corticoides não resolvem a oclusão cavernosa e podem trazer efeitos adversos. Não constam como terapia aguda em AUA/UpToDate/ASH.
Estratégia de prova: identifique as pistas: falcêmico + 24h de ereção dolorosa + falha de medidas habituais = priapismo isquêmico refratário. A resposta deve escalonar para terapia intracavernosa com fenilefrina (com aspiração/irrigação). Desconfie de alternativas que proponham apenas medidas de conforto (repouso, gelo) ou que contrariem a fisiopatologia (reduzir hidratação).
Dica clínica rápida: No exame, o corpo cavernoso está rígido e doloroso com glande flácida. Se disponível, gasometria cavernosa mostra hipóxia, hipercapnia e acidose, confirmando o caráter isquêmico.
Fontes: AUA/SMSNA Guideline on the Management of Priapism (2022); UpToDate: Management of ischemic priapism; Harrison’s Principles of Internal Medicine; ASH – orientações para complicações vaso-oclusivas na doença falciforme.
Gabarito: D
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