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Q3545237 Marketing
    Outro fator impactante nas relações científico-acadêmicas brasileiras com o restante das universidades estrangeiras decorre de uma posição poucas vezes debatida. 

    Com efeito, a maior parte das universidades e centros de pesquisa brasileiros assumem uma posição específica na busca de sua inserção internacional, almejando certo reconhecimento da parte de centros de pesquisa consagrados internacionalmente. E não há nenhum reparo nessa conduta. Todavia, entendo que não deva ser adotada, exclusivamente, essa linha de inserção. 

    A posição ocupada pelo Brasil, tradicionalmente, no mundo, seja nos aspectos econômico, político, diplomático e, também, científico, é uma posição intermediária. Olhar para o topo da pirâmide, quando se encontra inserido num estrato intermediário pode representar o desejado motor para o desenvolvimento científico nacional e a consequente inserção na elaboração da ciência global. O que não se defende é a atitude de olhar apenas para o topo dessa “cadeia alimentar”. 

    A circunstância de se estar situado numa camada intermédia do desenvolvimento científico e na percepção da medida de impacto que essa ciência é capaz de desempenhar exige das universidades, dos centros de pesquisa, dos pesquisadores e dos cientistas uma postura bifronte: ao mesmo tempo em que se deve olhar para cima, isto é, para a pesquisa de ponta realizada em grandes centros, pois essa atitude pode auxiliar a inserção internacional, também é necessário reconhecer que uma verdadeira inserção internacional se faz efetiva quando acompanhada de outro importante fator: o da transferência do conhecimento àqueles que ainda não o dominavam. Quando se olha para baixo, ou seja, para a pesquisa realizada em centros menos óbvios de pesquisa e difusão científica, garante-se, do mesmo modo, inserção internacional, mas uma inserção que se faz acompanhar por uma difusão social do conhecimento desenvolvido naquele centro.


A pandemia como oportunidade de intercâmbio acadêmico e científico por meio de uma internacionalização inclusiva. Gustavo Ferraz de Campos Monaco
Aprovado no presente concurso, você foi lotado(a) em uma das Unidades da USP. Essa Faculdade é reconhecida internacionalmente e ocupa a 85ª posição do principal ranking mundial em sua área específica de atuação. Universidades europeias e norte-americanas estão melhor posicionadas no mesmo ranking e todas as universidades sul-americanas, africanas e asiáticas estão posicionadas abaixo da 86ª posição. Alguns meses depois do início de suas atividades, uma nova Diretora é eleita e designa uma jovem professora para exercer a Presidência da Comissão de Cooperação Internacional da Unidade. Elas lhe solicitam um revolucionário plano de ação que garanta maior atratividade de estudantes estrangeiros para o tradicional Programa de Pós-Graduação mantido pela unidade. Sabendo que as disciplinas de pós-graduação da unidade são normalmente ministradas em português ou inglês e que as dissertações e teses podem ser escritas em português, espanhol ou inglês, assinale a alternativa que contempla as principais estratégias de seu plano de intervenção para atingir os objetivos da nova gestão.
Alternativas

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Alternativa correta: A

1. Tema central da questão
A questão aborda estratégias de internacionalização inclusiva no contexto do planejamento estratégico de marketing para programas de pós-graduação. Trata-se de formular ações para aumentar a atratividade do programa junto a estudantes estrangeiros, alinhando-se ao conceito de internacionalização ampla e não restrita apenas a centros de excelência tradicionais.

2. Resumo teórico
No marketing educacional internacional, ampliar a divulgação para regiões menos óbvias (América Latina, África e Ásia) permite a expansão de oportunidades e o fortalecimento de redes científicas. Adotar idiomas amplamente utilizados nesses contextos, especialmente o espanhol, reduz barreiras linguísticas e estimula o intercâmbio, como preconizam a UNESCO e o Fórum Econômico Mundial.

3. Justificativa da alternativa correta
A alternativa A propõe divulgar o programa em universidades de regiões que tradicionalmente ocupam posições intermediárias (América Latina, África, Ásia) e incentivar o credenciamento de disciplinas em espanhol, ampliando a acessibilidade. Isso reflete diretamente o conceito do texto, que defende uma postura bifronte: buscar a excelência, mas também transferir e difundir conhecimento para centros menos tradicionais, promovendo a inclusão internacional.

4. Análise das alternativas incorretas

B – Limitar disciplinas ao português restringe o acesso de estrangeiros, dado que o espanhol é mais amplamente falado na América Latina e facilita a integração.
C – Focar apenas América do Norte/Europa repete o modelo tradicional de internacionalização, que o texto sugere evitar como única estratégia. Além disso, o espanhol não é idioma universal nessas regiões.
D – Piora ainda mais o alcance internacional, pois foca em regiões tradicionalmente privilegiadas e restringe ainda mais o idioma.
E – Ainda que o inglês seja importante, a alternativa não corresponde à postura inclusiva recomendada pelo texto, que pede olhar também para “baixo” na cadeia científica.

5. Estratégias de interpretação
Atente-se aos objetivos estratégicos do enunciado (atração de estrangeiros, internacionalização inclusiva). Cuidado com pegadinhas: opções que citam apenas Norte América/Europa ou restringem idiomas não atendem à ideia de difusão social e acessibilidade. Palavras como “apenas” e seleção de idiomas são decisivas!

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