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Q3545229 Ciência Política
    “A política externa e a atividade diplomática têm, como um item permanente na agenda, o defender os interesses de um país no plano internacional. Identificar esses interesses e a sua especificidade, diferenciando-os daqueles dos demais atores que operam na vida internacional é, assim, um problema prático e um exercício diário da representação da identidade coletiva de um país.

    Traduzir necessidades internas em possibilidades externas para ampliar o poder de controle de uma sociedade sobre o seu destino é a tarefa da política externa considerada como política pública. (...). Requer novos e abrangentes mapas de conhecimento à luz do processo de globalização que, lastreado na inovação tecnológica, não só acelerou o tempo e encurtou os espaços como também diluiu a diferença entre o interno e o externo.

    A diluição da diferença entre o interno e o externo vem levando ao questionamento de uma das clássicas hipóteses de trabalho da teoria das relações internacionais: a que conferia à política externa uma esfera de autonomia em relação à política interna. (...) 

    É por esta razão que hoje os estudiosos tendem a definir o campo como o das complexas redes de interação governamentais e não governamentais – que estruturam o espaço do planeta e a governança do mundo. Daí o tema de uma diplomacia global e o problema correlato da sua multiplicidade de atores que passaram a incluir, rotineiramente, as empresas transnacionais, as organizações internacionais, a mídia – e seu papel na estruturação da agenda da opinião pública –, os partidos políticos, os sindicatos, as agências de rating do mercado financeiro etc.”


A identidade internacional do Brasil e a política externa brasileira: passado, presente e futuro. Celso Lafer. Adaptado.
Considere as seguintes situações: 

I- Paula, brasileira, decide cursar uma faculdade na Inglaterra, submetendo-se aos exames admissionais e realizando sua matrícula após ser selecionada.
II- Antonio, brasileiro, cursa mestrado em Portugal; de volta ao Brasil, ingressa no Doutorado na USP e o finaliza antes mesmo de obter a documentação necessária para o reconhecimento de seu título de mestre.
III- Juliana, brasileira, ingressa no doutorado na USP e consegue ver aprovado entre a USP e uma universidade italiana um instrumento que prevê dupla certificação após estágio de médio prazo na Itália e defesa perante Banca Examinadora mista, formada por examinadores italianos e brasileiros. 

Uma “complexa rede de interação não governamental”, como menciona Lafer em seu texto, pode ser reconhecida em: 
Alternativas

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Alternativa correta: B - III, apenas.

TEMA CENTRAL DA QUESTÃO
A questão trata do conceito de redes de interação não governamental nas relações internacionais, como destacado por Celso Lafer. Esse conceito é relevante para a compreensão de como, no mundo globalizado, múltiplos atores além dos Estados – como universidades, empresas, ONGs – influenciam e compõem a diplomacia e as relações entre países.

BASE TEÓRICA E RELEVÂNCIA
Com a globalização, os limites entre o interno e o externo nas políticas nacionais e internacionais ficam menos claros. Segundo Lafer, as redes não governamentais incluem, por exemplo, parcerias entre universidades, cooperação científica, empresas transnacionais e atuação de ONGs. Essas redes são formas de diplomacia pública e científica que ampliam o alcance do país sem ações exclusivas do governo.

JUSTIFICATIVA DA ALTERNATIVA CORRETA (III)
Na situação III, uma estudante participa de um doutorado em cotutela entre universidades do Brasil e da Itália, envolvendo cooperação direta entre instituições acadêmicas e bancas mistas, sem a mediação direta governamental. Isso caracteriza perfeitamente uma rede de interação não governamental internacional, alinhada ao conceito apresentado por Lafer.

ANÁLISE DAS ALTERNATIVAS INCORRETAS

I – Paula realiza processo totalmente individual para estudar no exterior, sem envolver redes institucionais ou parceiros interinstitucionais. Logo, não se enquadra como rede de interação.
II – Antonio faz mestrado em Portugal e doutorado na USP, mas não há menção a cooperação formalizada entre as instituições. São atos isolados do estudante, sem relação com redes de interação institucionalizadas.

ESTRATÉGIA DE INTERPRETAÇÃO
Fique atento ao termo-chave do enunciado: rede de interação não governamental. O caminho para a resposta certa é buscar, entre as alternativas, aquela que envolve colaboração formal entre instituições de países diferentes, sem ação governamental direta. Alternativas que trazem apenas decisões ou trajetórias individuais não se encaixam no conceito pedido.

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Gabarito C

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