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Q3190475 Medicina
Qual das considerações anestésicas está correta para um paciente que será submetido à endarterectomia de carótida?
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Tema central: Considerações anestésicas na endarterectomia de carótida (CEA). O foco é proteger o cérebro mantendo perfusão adequada, controlar rigorosamente a pressão arterial (PA), lidar com reflexos do seio carotídeo e permitir avaliação neurológica precoce.

Gabarito: C — Manter a PA em faixa alto-normal, sobretudo durante o clampeamento, é a conduta correta. O clampeamento reduz o fluxo ipsilateral e depende da circulação colateral (círculo de Willis). Como a autorregulação pode estar comprometida em doentes com estenose carotídea, evitar hipotensão e, frequentemente, visar uma MAP ~10–20% acima do basal com vasopressores de ação alfa (ex.: fenilefrina, noradrenalina) preserva a perfusão cerebral. Alvos adicionais: normocapnia e euvolemia. Referências: Miller’s Anesthesia; UpToDate; diretrizes SVS e AHA/ACC.

Análise das alternativas incorretas

A) “Descontinuar cronicamente fármacos cardíacos” — Incorreta. Em CEA, deve-se manter betabloqueadores já em uso, continuar estatinas e, em geral, manter AAS para reduzir eventos cardiovasculares e trombóticos. IECA/BRAs podem ser omitidos na manhã da cirurgia para reduzir hipotensão refratária, mas isso é exceção, não regra de “suspender tudo”. (AHA/ACC perioperative guidelines; UpToDate)

B) “CVC e cateter de artéria pulmonar em todos” — Incorreta. Não são rotineiros. O padrão é cateter arterial antes da indução para controle fino da PA. CVC é reservado a casos selecionados (uso de altas doses de aminas, acesso venoso difícil, disfunção ventricular grave). Cateter de artéria pulmonar é raro e restrito a cardiopatia muito complexa. (Miller’s; SVS)

D) “Infiltração do seio carotídeo com lidocaína reduz taquicardia” — Incorreta. A manipulação do seio carotídeo estimula barorreceptores, levando a bradicardia e hipotensão reflexas. A infiltração com lidocaína é usada para prevenir bradicardia/hipotensão, não taquicardia. (Miller’s; UpToDate)

E) “Evitar extubação precoce” — Incorreta. Em CEA, busca-se extubação precoce na sala, se estável, para exame neurológico imediato e detecção de déficits. Adia-se a extubação apenas se houver instabilidade hemodinâmica, via aérea difícil/edema cervical ou necessidade clínica. (SVS; UpToDate)

Estratégia de prova: Diante de “clampeamento” e “perfusão cerebral”, pense em evitar hipotensão e, muitas vezes, tolerar leve hipertensão. Lembre: monitorização arterial invasiva é essencial; mantenha fármacos crônicos cardioprotetores; extubação precoce habilita avaliação neurológica.

Fontes essenciais: Miller’s Anesthesia; UpToDate (Anesthesia for carotid endarterectomy); Society for Vascular Surgery Guidelines; AHA/ACC Perioperative Guidelines.

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