A Doença Arterial Oclusiva Periférica (DAOP) ocorre em 15% a...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: DAOP e risco cardiovascular perioperatório. A DAOP é marcador de aterosclerose sistêmica e se associa a alta carga de doença coronariana “silenciosa” e cerebrovascular. Portanto, exige estratificação de risco e otimização hemodinâmica e medicamentosa.
Alternativa correta: A — Pacientes com DAOP apresentam risco de eventos cardíacos adversos perioperatórios semelhante ao de portadores de doença arterial coronariana (DAC) ou cerebrovascular, pois a DAOP reflete aterosclerose difusa e alto risco de MACE (infarto, AVC, morte). Diretrizes ACC/AHA (2014 e atualização 2024) e ESC reconhecem a DAOP como modificador de risco importante, frequentemente equiparada a DAC em termos prognósticos. O ITB baixo reforça esse risco. Referências: ACC/AHA Perioperative Guidelines; ESC PAD Guidelines; UpToDate; Harrison’s.
Análise das incorretas
B — Afirma manter todos no dia da cirurgia. Betabloqueadores: manter se já em uso; não iniciar no dia (risco de hipotensão/bradicardia). Estatinas: manter, e considerar iniciar antes de cirurgia vascular. AAS: depende do balanço trombose/hemorragia; em cirurgia vascular costuma-se manter para prevenção secundária, mas não é regra universal. IECA/BRAs: frequentemente suspender na manhã da cirurgia para reduzir hipotensão refratária, exceto se IC com FE reduzida. Logo, a assertiva é excessivamente categórica e incorreta. (ACC/AHA 2014/2024; ESC)
C — “Contraindicada” é exagero. Anestesia regional neuraxial com heparinização sistêmica é possível com critérios: punção ≥1 h antes da heparina, avaliação de coagulação, vigilância neurológica, retirada do cateter quando segurança hemostática for adequada. Para bloqueios periféricos, avaliação individual e técnica cuidadosa. Diretriz ASRA sustenta essas condições. Portanto, não é contraindicada de forma absoluta.
D — Limite fixo de 5 mL/kg não é padrão. Usa-se a MACD (Cigarroa): ≈ 5 mL × peso (kg) / creatinina (mg/dL), até 300 mL, além de estratégias como hidratação, contraste de baixa osmolaridade e dose mínima possível. A alternativa apresenta número simplificado e inadequado.
E — O Índice Tornozelo-Braquial (ITB) é forte preditor de eventos cardiovasculares e mortalidade geral; ITB < 0,90 duplica ou triplica risco de IAM/AVC/morte. Dizer que “não é bom preditor” contraria a evidência (ESC PAD; UpToDate).
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos (“contraindicada”, “devem ser mantidos todos”), números “redondos” sem contexto (5 mL/kg) e frases que contradizem conhecimento consolidado (ITB não preditor). Relacione DAOP com DAC/AVC como marcador de alto risco sistêmico.
Referências rápidas: ACC/AHA Perioperative Evaluation (2014; update 2024); ESC Guidelines on PAD; ASRA Guidelines on Regional Anesthesia and Anticoagulation; UpToDate; Harrison’s.
Gabarito: A.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo