Fernando, que se apresentava como sócio-gerente da soci...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q2252344 Direito Penal
    Fernando, que se apresentava como sócio-gerente da sociedade comercial Ribeiro e Fernando, irregular perante o fisco estadual, já que não estava inscrita no cadastro fiscal, realizou várias operações de compra e venda com a sociedade comercial Romeiro e Bastos, no período de novembro/1989 a março/1993 — até dezembro de 1990 vigorava a Lei n.º 4.729/1965 e, posteriormente, entrou em vigor a Lei n.º 8.137/1990, ambas definindo crimes contra a ordem tributária, a primeira prevendo penas mais brandas —, emitindo notas fiscais ideologicamente verdadeiras, mas materialmente falsas, deixando de recolher todo o ICMS decorrente de tais operações.     O contador da sociedade Romeiro e Bastos efetuou o lançamento das notas fiscais nos livros fiscais, utilizando o crédito de ICMS decorrente das transações, sendo que, em abril de 1992, tomou conhecimento da falsidade dos documentos, em virtude dos valores de ICMS apurados mensalmente. Entretanto continuou a efetuar o lançamento, já que seu patrão ameaçava demiti-lo. A situação prosseguiu até março de 1993, quando o fisco descobriu a irregularidade, autuando as empresas e, findo o procedimento administrativo, representou criminalmente ao Ministério Público que ofereceu denúncia.
Com base nessa situação hipotética, julgue os itens em seguida.
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: C

1. Interpretação e tema jurídico

A questão aborda os crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/1990), focando nas condutas criminais de utilização indevida de documentos fiscais e a responsabilização de agentes colaboradores, como o contador.

2. Legislação Aplicável

Lei nº 8.137/90:

Art. 1º, IV: “Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, […] IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato.”
Art. 2º, I: “Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se […] do pagamento de tributo.”

3. Tema central & jurisprudência

A responsabilização não atinge apenas quem praticou a fraude, mas qualquer agente com ciência do ilícito que concorra para a materialização do crime — inclusive funcionários ou contadores, desde que conscientes do expediente fraudulento (STJ: AgRg no REsp 1132992/SP).

Exemplo prático: Se o contador, após tomar ciência da fraude, continua infringindo a obrigação tributária dolosamente, ele coaduna-se com o crime.

4. Justificativa da alternativa C

Correta: Ao tomar conhecimento da falsidade das notas fiscais e, ainda assim, lançar tais valores para apropriação de ICMS indevido, o contador e o gerente passaram efetivamente a concorrer para o crime previsto no art. 2°, I da Lei nº 8.137/90, sendo perfeitamente possível a sua responsabilização a partir deste momento.

5. Por que as demais alternativas estão erradas?

A) Falsa, pois o mero respeito ao princípio da não-cumulatividade não afasta a autoria criminosa quando há ciência do emprego de documento falso.
B) Incorreta. Não se pode falar em continuidade delitiva de crimes praticados sob leis diferentes com penas distintas; aplica-se o princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica (art. 2º, CP), não a continuidade.
D) Falsa. STF (HC 96.324/SP): Não é preciso esperar o fim da instância administrativa para iniciar a persecução penal.
E) Inexata. O parcelamento suspende o processo (art. 9º, §2º, Lei 10.684/03), mas a extinção da punibilidade só ocorre após a quitação integral, não bastando apenas o ingresso.

DICA: Atenção ao tempo de ciência do contador, que caracteriza o dolo.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo